Ibovespa opera em alta após nove quedas seguidas, mas crise da Casas Bahia mantém pressão sobre a Bolsa
Índice sobe 0,11% na abertura, aos 167,1 mil pontos, enquanto investidores acompanham saída de capital estrangeiro e pedido de recuperação judicial da varejista
O Ibovespa operava em alta de 0,11% aos 167 120 pontos no pregão desta segunda-feira, 17, em uma tentativa de recuperação após nove sessões consecutivas de queda. O movimento, no entanto, ocorre em um ambiente ainda marcado pela saída de capital estrangeiro, pelas incertezas relacionadas ao cenário eleitoral e pela crise financeira da Casas Bahia.
Na avaliação de Elson Gusmão, diretor de Câmbio da Ourominas, o índice operava praticamente estável, com queda de 0,01%, aos 166.920 pontos, enquanto o dólar permanecia próximo de 5,21 reais. “O Focus não trouxe um gatilho novo para o mercado porque manteve as projeções de inflação, PIB, Selic e câmbio. Essa estabilidade confirma uma expectativa de juros elevados e crescimento moderado, mas não explica sozinha o movimento do pregão”, afirma.
Segundo Gusmão, a Bolsa continua pressionada por fatores que vão além dos dados econômicos. Entre eles estão a saída de recursos estrangeiros, a incerteza eleitoral e os efeitos da recuperação judicial da Casas Bahia.
Crise da Casas Bahia amplia pressão sobre o varejo
Para Alexandre Temerloglou, especialista em recuperação judicial e CEO da Siegen, a situação da Casas Bahia é resultado de um processo de reestruturação que se arrasta há alguns anos. A companhia já havia realizado uma recuperação extrajudicial em 2024, após operações de reestruturação iniciadas em 2023. O processo envolveu mais de 4 bilhões de reais em dívidas e teve o plano homologado e colocado em execução. Em 2025, a empresa também passou por uma reestruturação de capital com o objetivo de equalizar dívidas. Apesar das medidas, a companhia continuou apresentando dificuldades operacionais e prejuízos. “O movimento na última semana de fechamento vultuoso de lojas apenas confirmou o que viria horas/dias depois, que foi o pedido de RJ”, afirma Temerloglou.
A crise da varejista também expõe um problema mais amplo enfrentado pelo setor. Segundo Temerloglou, empresas do varejo vêm sofrendo há anos com o ambiente macroeconômico, especialmente com as taxas de juros elevadas. O impacto é ainda maior em companhias que precisam financiar parte relevante da operação. Em geral, as varejistas pagam fornecedores em prazos mais curtos do que os períodos utilizados para financiar as vendas aos consumidores. Com o custo do dinheiro elevado, essa diferença aumenta a despesa financeira das empresas.
Ao mesmo tempo, o consumidor final também sente os efeitos dos juros elevados e do endividamento, reduzindo sua capacidade de consumo e dificultando a recuperação das vendas. “São empresas que, regra geral, pagam seus fornecedores em prazos mais curtos do que os que usam para financiar suas vendas, portanto, recorrem a capital financeiro para alavancar e manter suas operações que, no atual patamar, causa uma grande despesa financeira”, explica Temerloglou.
Apesar das dificuldades, Temerloglou destaca que marcas consolidadas como Casas Bahia possuem uma vantagem importante durante processos de reestruturação: o reconhecimento junto ao consumidor. O principal desafio, segundo ele, está na negociação com os credores, especialmente fornecedores. A manutenção do abastecimento é essencial para evitar que a crise financeira se transforme também em um problema operacional.







