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Ibovespa fecha julho em alta de 8,28% e se aproxima do patamar pré-Covid

Com liquidez internacional, juros baixos e IPOs, bolsa brasileira tem mês positivo, porém, subir daqui para a frente pode ser mais difícil

Por Luisa Purchio - 31 jul 2020, 19h24

Ainda que nessa sexta-feira 31 o Ibovespa tenha fechado em baixa de 2%, em 102.912 pontos, no decorrer do mês de julho a bolsa teve alta de 8,28% em relação ao final de junho,  um crescimento que acompanha a sua toada de recuperação gradual após a forte queda que ocorreu no dia 23 de março. O mês foi marcado por acontecimentos importantes, como o alcance da meta psicológica dos 100 mil pontos, índice que havia sido perdido desde o início da pandemia do novo coronavírus, e dois dias de fechamento acima dos 105 mil pontos, no final do mês. Ainda assim, a bolsa está 11% abaixo dos patamares pré-pandemia.

A alta de julho vai em direção às projeções de parte do mercado para a bolsa brasileira para o final do ano. O Banco Safra, por exemplo, no mês passado revisou sua perspectiva para o encerramento de 2020 de 97 mil pontos para 112 mil pontos. Já o Santander, com previsão menos otimista, previu que o Ibovespa atingirá 110 mil pontos. O Banco do Brasil, por sua vez, previu que o ano será encerrado em 110 mil pontos. Para o mês de julho, no entanto, suas perspectivas era mais animadoras que as ocorridas. O Banco do Brasil previa uma alta de quase o dobro da ocorrida, de 15,7% em relação ao fechamento do mês de junho. No radar da instituição estava a realização de lucros após a divulgação dos resultados no 2º trimestre do ano.

Um dos fatores que contribuiu para o crescimento da bolsa de valores, tanto brasileira quanto americanas, é a alta liquidez, provocada pelos bancos centrais internacionais e pelo americano Federal Reserve. Esse mês, a fala do presidente Jerome Powell de que o Fed continuará injetando dólares na economia até a sua recuperação contribuiu. Além disso, a baixa taxa de juros da renda fixa tem atraído novos investidoras para o mercado de renda variável. No Brasil, o Ibovespa foi impulsionado também pelo encaminhando da proposta da reforma tributária pelo governo e pela nova abertura de IPOs. As ações que mais valorizaram no mês são a Cogna Educação, a CVC Brasil, a Weg On e a Via Varejo, com crescimento acima de 30%. Já as ações com maior queda são IRB Brasil Resseguros, Qualicorp e Intermédica.

Mesmo diante desses fatores positivos que levaram à alta acima de 8% do Ibovespa, alguns analistas fazem, no entanto, projeções mais moderadas. A Necton Investimentos, por exemplo, manteve a previsão de 106 mil pontos feita no final de maio para a bolsa brasileira para o fechamento do ano. “Não sou tão favorável a uma dinâmica tão otimista como um todo. Dificilmente em quatro meses teremos uma bolsa de valores subindo 10%, essa relação não é lógica”, diz Glauco Legat, analista-chefe da Necton Investimentos.

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