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Ibovespa fecha em queda após tensão geopolítica ganhar força

Mercado monitorou a disparada do petróleo, o impacto sobre a inflação e a deterioração do ambiente fiscal brasileiro

Por Carolina Ferraz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 8 jul 2026, 17h32
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O Ibovespa encerrou o pregão desta quarta-feira, 08, em queda de 0,69%, aos 170.825 pontos, refletindo a piora do humor dos investidores após o recrudescimento das tensões no Oriente Médio. O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o fim do cessar-fogo entre Israel e Irã elevou os temores de uma escalada do conflito, impulsionando o preço do petróleo e aumentando as preocupações com a inflação global.

No mercado brasileiro, a alta de mais de 5% do petróleo Brent beneficiou as ações da Petrobras, que avançaram cerca de 3,7%. No entanto, o movimento não foi suficiente para compensar as perdas de outras empresas de peso no índice. A Vale liderou as quedas do pregão, recuando mais de 4%, acompanhando a desvalorização das commodities metálicas e pressionando o desempenho do Ibovespa. O dólar encerrou o dia operando em 5,16 reais.

Para Rubens Cittadin, especialista de renda variável da Manchester Investimentos, o mercado voltou a concentrar sua atenção no impacto inflacionário provocado pela valorização do petróleo. Com a perspectiva de uma inflação mais elevada, investidores passaram a rever posições em ativos de risco, enquanto aumentam as preocupações com a trajetória dos juros. “O petróleo mais caro aumenta a pressão sobre a inflação e faz com que investidores reavaliem a relação entre risco e retorno. Esse movimento levou à venda de commodities metálicas, pressionando a Vale, ao mesmo tempo em que favoreceu as ações da Petrobras. É um cenário em que a inflação volta a ditar o ritmo dos mercados”, avalia.

Além do cenário externo, o ambiente doméstico também contribuiu para a cautela. A percepção de deterioração fiscal continua no radar dos investidores e, somada ao avanço do petróleo, elevou a preocupação com os juros futuros. Ao longo do pregão, os contratos de Depósitos Interfinanceiros (DI) registraram alta, refletindo uma revisão das expectativas para a política monetária.

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Na avaliação do especialista, os próximos dias devem continuar sendo influenciados por três fatores principais: a evolução do conflito envolvendo Irã e Estados Unidos, o comportamento dos preços do petróleo e o cenário fiscal brasileiro, que ganha ainda mais relevância em meio às discussões sobre inflação e ao ambiente político. “Se o conflito se prolongar e mantiver o petróleo em patamares elevados, o mercado pode voltar a revisar as expectativas para juros, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, o quadro fiscal brasileiro e as perspectivas para o cenário eleitoral seguem sendo fatores importantes para a precificação dos ativos”, conclui Rubens.

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