Ibovespa e dólar caem com Casas Bahia, Boletim Focus e indicadores econômicos no radar
Recuperação judicial de Casas Bahia aciona alerta no mercado sobre sofrimento de empresas ante a juros altos
O Ibovespa teve leve desvalorização de 0,09% nesta segunda-feira, 17, recuando para os 166,7 mil pontos. A bolsa de valores brasileira encerrou em baixa pelo décimo pregão seguido, influenciada ainda por um movimento de saída de capital estrangeiro. Hoje, também operou de olho no pedido de recuperação judicial das Casas Bahia, que mostra o quanto as empresas estão sofrendo com juros altos.
“O varejo é particularmente sensível à Selic porque juros altos encarecem o financiamento ao consumidor, reduzem a demanda e aumentam o custo da dívida corporativa”, afirma o economista Fabio Louzada. As ações da Casas Bahia chegaram a despencar mais de 30% depois de registrar prejuízo de 10,1 bilhões de reais no segundo trimestre e protocolar pedido de recuperação judicial. A companhia declarou dívida de 17,3 bilhões de reais e patrimônio líquido negativo, além de anunciar medidas como fechamento de lojas e redução de funcionários.
Entre as demais ações de peso no principal índice da B3, os bancos o acompanharam e operaram no negativo. O Banco do Brasil (BBAS3) liderou as perdas, com baixa de 2,34%, seguido pelo Bradesco (BBDC4), que recuou 1,93%. O Itaú (ITUB4) caiu 1,59%, enquanto o Santander (SANB11) teve desvalorização de 1,10%.
No cenário doméstico, a agenda econômica também contou com a divulgação do Boletim Focus semanal, o IBC-Br e o IGP-10. Economistas consultados pelo Banco Central mantiveram as projeções para a inflação do país, que deve encerrar 2026 em 5,02%. O relatório manteve a expectativa de 13,75% ao ano de taxa Selic para o fim do ano.
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), indicador complementar do PIB brasileiro, recuou 0,6% em junho, segundo o BC. Já o Índice Geral de Preços (IGP-10) caiu 0,51% em agosto, após registrar queda de 1,13% em julho, de acordo com a Fundação Getulio Vargas (FGV).
O dólar, por sua vez, encerrou em baixa, cotado a 5,20 reais. “A perspectiva de juros americanos menos restritivos ajuda a reduzir a pressão sobre o dólar globalmente”, diz Louzada. “Os mercados americanos vêm ajustando para baixo as apostas de uma alta de juros do Federal Reserve em setembro, após dados mais fracos de atividade nos Estados Unidos.”
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