Ibovespa cai em movimento de realização de lucros e de olho em preço do petróleo
Enquanto bolsa de valores desvaloriza, dólar sobe mais de 1% influenciado por juros nos EUA
O Ibovespa teve desvalorização de 0,86% nesta quarta-feira, 23, recuando para os 185,8 mil pontos. A bolsa de valores operou em um movimento de realização de lucros após a forte alta dos últimos dias, enquanto o fluxo estrangeiro continua positivo. Além disso, caiu influenciada pela elevação no preço do petróleo.
No cenário internacional, as tensões se elevaram após declarações contundentes do presidente iraniano na ONU. O líder classificou os Estados Unidos como “terroristas” e afirmou que o país não “se ajoelhará” diante de pressões externas.
“As falas elevaram a percepção de risco dos investidores em relação a uma possível escalada do conflito e seus potenciais impactos sobre a oferta global da commodity, especialmente em uma região estratégica para o mercado de energia”, afirma Rafael Pastorello, portfólio manager do Banco Sofisa.
O barril de petróleo brent subiu mais de 4% hoje, voltando ao patamar de 103 dólares. “As implicações desse cenário vão além do mercado de energia. Um petróleo mais caro pressiona os custos de produção, transporte e combustíveis, impactando as expectativas de inflação em diversas economias”, reforça Pastorello. Com isso, os bancos centrais ao redor do mundo tendem a manter uma postura mais cautelosa na condução da política monetária, contribuindo para um período mais prolongado de juros restritivos.
Entre as demais ações de peso no principal índice da B3, os bancos o acompanharam e operaram no negativo. O Banco do Brasil (BBAS3) liderou as perdas, com baixa de 2,21%, seguido pelo Bradesco (BBDC4), que recuou 2,17%. O Itaú (ITUB4) caiu 1,88%, enquanto o Santander (SANB11) teve desvalorização de 0,98%.
O dólar, por sua vez, encerrou em alta de mais de 1% e ficou cotado a 5,16 reais. Segundo Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, o movimento expressivo de valorização cambial foi impulsionado pela busca por proteção por parte dos agentes financeiros, que reagem à perspectiva crescente de que as taxas de juros nos EUA deverão permanecer em patamares elevados por um período mais longo do que o mercado desejava.
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