Ibovespa cai em movimento de aversão ao risco e de olho em preço do petróleo
Mercados continuam acompanhando conflito no Oriente Médio, que eleva preço da commodity a US$ 107 por barril
O Ibovespa teve desvalorização de 0,99% nesta quinta-feira, 24, recuando para os 183,9 mil pontos. A bolsa de valores brasileira operou sob forte aversão ao risco, pressionada diretamente pelo avanço expressivo dos rendimentos dos títulos públicos norte-americanos, as Treasuries.
O aumento reflete a alta no preço do barril de petróleo Brent, que subiu mais de 4% hoje e voltou ao patamar de 107 dólares. O movimento do valor da commodity, por sua vez, deriva das tensões entre Estados Unidos e Irã e a falta de perspectiva de uma solução rápida para o conflito no Oriente Médio.
Com isso, “o movimento de alta nos juros de longo prazo nos Estados Unidos atrai o capital global para a segurança da renda fixa americana, drenando a liquidez e o apetite por ativos de risco em mercados emergentes como o Brasil”, explica Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad. Esse ambiente justifica a pressão vendedora sobre a bolsa local e o movimento de realização de lucros.
No cenário doméstico, o relatório de política monetária do Banco Central reduziu de 2% para 1,8% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, diante de uma desaceleração mais acentuada da atividade econômica.
Entre as ações de peso no principal índice da B3, os bancos operaram majoritariamente no negativo. O Bradesco (BBDC4) registrou ganhos, com alta de 0,51%. O Itaú (ITUB4) recuou 1,18%, seguido do Santander (SANB11), que caiu 1,39%. Já o Banco do Brasil (BBAS3) teve desvalorização de 2,84%.
O dólar, por sua vez, encerrou em alta e ficou cotado a 5,19 reais, refletindo a força generalizada da moeda norte-americana em dias de estresse na curva de juros dos EUA. “Esse fortalecimento evidencia a cautela extrema dos investidores institucionais, que preferem proteger seus recursos em moedas fortes e ativos de menor risco enquanto avaliam até que ponto a política monetária americana continuará impactando o fluxo internacional de investimentos”, afirma Nossig.
Os fatos que mexem no bolso são o destaque da análise no programa Mercado:





