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Ibovespa cai com guerra no Oriente Médio; greve dos caminhoneiros entra no radar

Mercado recua com temor de inflação global e incerteza sobre impactados de uma provável greve dos caminhoneiros para a economia

Bruno AndradePor Bruno Andrade Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 jul 2026, 11h59 | Atualizado em 13 jul 2026, 12h01
Ibovespa cai com guerra no Oriente Médio; greve dos caminhoneiros entra no radar Priorizar nos meus resultados Google

O Ibovespa opera em queda nesta segunda-feira, 13, com investidores atentos aos desdobramentos da guerra no Oriente Médio. No cenário doméstico, a greve dos caminhoneiros também entra no radar do mercado, diante do potencial de provocar impactos sobre a atividade econômica caso ganhe força.

Por volta das 12h, o Ibovespa recuava 0,6%, aos 176.783,59 pontos. Já o dólar avançava 0,4%, cotado a 5,12 reais. No exterior, a aversão ao risco aumentou depois que o governo iraniano anunciou um novo fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo.

Em resposta, forças americanas bombardearam alvos no Irã com o objetivo de impedir que Teerã assuma o controle da passagem marítima. O governo iraniano reagiu informando ter lançado ataques contra bases militares dos Estados Unidos em diferentes países do Golfo.

A escalada do conflito ocorre após um ataque iraniano, na madrugada de domingo da semana passada, contra um navio comercial que navegava pelo Estreito de Ormuz. A tripulação precisou abandonar a embarcação.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta semana que o cessar-fogo “acabou” após os ataques iranianos contra embarcações na região de Ormuz. No sábado, 11, o Irã anunciou o fechamento do estreito.

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Apesar do anúncio, dados do site MarineTraffic mostram que, por volta das 11h40 desta segunda-feira, navios com destino a países como Paquistão e Estados Unidos continuavam cruzando a via marítima. Isso indica que a passagem ainda não foi totalmente interrompida.

Diante desse cenário, as forças americanas atacaram sistemas de defesa aérea iranianos, radares costeiros, estruturas de lançamento de mísseis e drones, além de embarcações de pequeno porte. Segundo Washington, a operação busca impedir que a República Islâmica bloqueie a navegação pelo estreito.

A Guarda Revolucionária, força militar de elite do Irã, informou, em comunicados divulgados pela agência oficial IRNA, ter atacado a Base Aérea Príncipe Hassan, na Jordânia, um centro de comando de drones militares no Bahrein e duas bases aéreas no Kuwait.

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O grupo também reivindicou ataques contra instalações militares americanas em Omã. No domingo, já haviam sido registrados ataques a bases dos Estados Unidos no Catar. O Exército do Kuwait confirmou nesta segunda-feira que acionou seus sistemas de defesa para responder a “objetos aéreos hostis” lançados contra o território do país.

A escalada da guerra impulsiona os preços do petróleo no mercado internacional. A commodity subia x% por volta das 11h40. O movimento reforça o temor de uma nova pressão inflacionária global, cenário que pode levar bancos centrais a manter juros elevados por mais tempo. Taxas de juros mais altas reduzem a atratividade de ativos de risco, como as ações negociadas em Bolsa.

Greve dos caminhoneiros entra no radar

No cenário doméstico, a agenda econômica esvaziada faz investidores acompanharem os desdobramentos da paralisação dos caminhoneiros. O presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landin, conhecido como Chorão, convocou uma greve da categoria para esta segunda-feira, 13.

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Em vídeo publicado nas redes sociais, Chorão convocou os caminhoneiros a interromperem as atividades a partir da 0h desta segunda-feira. “Os portos irão parar. A gente vai acompanhar em todos os cenários nacionais, como fizemos em 2018”, afirmou.

A categoria cobra a aprovação da Medida Provisória do Piso do Frete, que perde a validade em 16 de julho caso não seja aprovada pelo plenário do Senado. Procurado por VEJA, Chorão não respondeu aos contatos da reportagem.

Manifestação

No vídeo, o presidente da Abrava afirmou que a paralisação não ocorre por iniciativa da categoria, mas por “culpa do senador Davi Alcolumbre, que não colocou em votação a Medida Provisória do Piso do Frete”.

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A Medida Provisória nº 1.343/2026 endurece as regras para garantir o cumprimento do piso mínimo do frete rodoviário de cargas. O principal objetivo é impedir que embarcadores e transportadoras contratem serviços por valores inferiores aos mínimos definidos pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Editada em 19 de março de 2026, a medida já foi aprovada pela Câmara dos Deputados. Para não perder a validade, precisa ser votada pelo plenário do Senado até 16 de julho. Até o momento, porém, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), ainda não incluiu a proposta na pauta.

Em entrevista a VEJA na última sexta-feira, Landin afirmou que a demora decorre da disputa política entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Alcolumbre.

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Segundo ele, após o embate entre ambos em torno da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente do Senado teria prometido, nos bastidores, não pautar projetos assinados pelo governo.

No vídeo divulgado nas redes sociais, Chorão afirmou esperar uma sinalização sobre a votação até esta terça-feira. Caso isso não ocorra, segundo ele, a paralisação tende a ganhar força. “Davi Alcolumbre, você foi avisado. Agora você segura”, concluiu Landin.

Na última grande paralisação da categoria, em 2018, a greve dos caminhoneiros reduziu o Produto Interno Bruto (PIB) em cerca de 1,2 ponto percentual. Caso um movimento de proporções semelhantes volte a ocorrer, os impactos sobre a economia brasileira poderão ser relevantes. Por isso, o mercado acompanha a mobilização com atenção.

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