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Ibovespa cai com desemprego no menor nível da série e petróleo em baixa

Mercado de trabalho resiliente reforça cautela com trajetória da Selic, enquanto recuo da commodity pressiona ações ligadas ao setor

Por Carolina Ferraz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 29 set 2026, 10h53
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O Ibovespa operava em queda nesta terça-feira, 29, em uma sessão marcada pela divulgação de novos dados sobre o mercado de trabalho e o crédito no Brasil e pelo recuo do petróleo no exterior. Por volta das 10h55, o principal índice da B3 caía 0,41%, aos 182 180 pontos.

A taxa de desemprego ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, segundo dados divulgados nesta manhã pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou em linha com as expectativas do mercado e representa o menor nível para o período desde o início da série histórica, em 2012. A população ocupada chegou ao recorde de 103,5 milhões de pessoas.

Apesar de positivo para a atividade econômica, um mercado de trabalho ainda aquecido pode dificultar uma queda mais rápida dos juros. Isso porque emprego e renda resilientes tendem a sustentar o consumo e a demanda, fatores acompanhados pelo Banco Central na avaliação sobre a trajetória da inflação. “O dado mais importante da manhã é o mercado de trabalho. A taxa de desemprego ficou em 5,3% no trimestre até agosto, em linha com as expectativas. É um mercado de trabalho ainda resiliente, e isso é relevante para o Banco Central”, afirma Leonardo Brito, economista da Olimpo Investimentos. Para ele, uma economia com emprego aquecido pode dificultar uma convergência mais rápida da inflação.

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A leitura é semelhante à de Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos. Segundo ele, o desemprego em patamar historicamente baixo “reduz o espaço para uma aceleração dos cortes da Selic”, mantendo os juros domésticos como um dos fatores de pressão sobre a Bolsa. Ao mesmo tempo, os dados de crédito divulgados pelo Banco Central mostram os efeitos do aperto monetário sobre famílias e empresas. A inadimplência no crédito com recursos livres atingiu 6,6% em agosto, renovando o maior nível da série histórica iniciada em 2011. Entre as pessoas físicas, a taxa chegou a 8%.

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Para Lima, os dois indicadores mostram forças distintas atuando sobre a economia. De um lado, o mercado de trabalho permanece aquecido; de outro, a inadimplência recorde indica que os juros elevados começam a aparecer de maneira mais evidente nas condições financeiras.

No exterior, a queda do petróleo acrescentava pressão ao Ibovespa, principalmente sobre as empresas ligadas à commodity. O movimento ocorre após a recuperação de parte das exportações de petróleo do Oriente Médio, enquanto as negociações envolvendo Estados Unidos e Irã permanecem no radar dos investidores. “O petróleo recua, aliviando marginalmente a pressão inflacionária global. Então, para o mercado brasileiro, eu destacaria três vetores hoje: mercado de trabalho, trajetória dos juros globais e petróleo”, afirma Brito.

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Nos Estados Unidos, os rendimentos dos Treasuries continuam em níveis elevados. O título de dez anos permanecia próximo de 5,2%, mantendo a atenção dos investidores sobre a trajetória dos juros americanos. Os futuros dos principais índices de Wall Street, por outro lado, avançavam nesta manhã.

No câmbio, o dólar recuava e rondava 5,21 reais, mesmo com leve valorização da moeda americana no exterior. Para Lima, o comportamento indica que o diferencial de juros entre Brasil e outros mercados continua oferecendo suporte ao real. Na avaliação do analista, a combinação deixa a Bolsa pressionada por commodities e pela perspectiva de juros domésticos elevados por mais tempo, enquanto o câmbio encontra alguma proteção no chamado carry trade, estratégia que busca aproveitar a diferença entre as taxas de juros de diferentes países.

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