ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Ibovespa cai após novo tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros

Mercado reage ao anúncio de tarifas de 25% pelos Estados Unidos, mas especialistas avaliam que impacto econômico tende a ser limitado

Por Carolina Ferraz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 jul 2026, 10h21 | Atualizado em 16 jul 2026, 11h00
Ibovespa cai após novo tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros Priorizar nos meus resultados Google

O Ibovespa opera em queda de 1,09% nesta quinta-feira, 16, aos 174 101 pontos, após o governo dos Estados Unidos oficializar uma tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros. A medida, anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), entra em vigor em 22 de julho e amplia as tensões comerciais entre os dois países.

Continua após a publicidade
Continua após a publicidade

Apesar da reação negativa do mercado, a lista de exceções divulgada pelo governo americano preservou diversos produtos estratégicos para a pauta exportadora brasileira, como carne bovina, café, energia, aeronaves e componentes aeronáuticos. Segundo estimativas, as isenções abrangem cerca de 1 bilhão de dólares em comércio anual.

Para Bruno Yamashita, coordenador de Alocação e Investimento da Avenue, o mercado ainda reage mais ao aumento da incerteza política do que propriamente aos impactos econômicos da medida. “As tarifas realmente acabam gerando muita repercussão, mas existe uma lista de isenção muito grande para os produtos brasileiros. Com isso, o impacto é relativamente baixo tanto sobre as exportações brasileiras quanto sobre a participação dessas vendas no PIB do Brasil”, afirma.

Continua após a publicidade

Na avaliação do especialista, o efeito econômico tende a ser limitado porque a parcela das exportações atingidas representa uma pequena fração da atividade brasileira. “Isso acaba gerando muito mais ruído e tensão no campo político do que, efetivamente, um impacto econômico relevante”, completa.

Câmbio deve permanecer sensível

Se os efeitos sobre a economia são considerados moderados, o mesmo não vale para o mercado cambial. Segundo Elson Gusmão, diretor de Câmbio da Ourominas, a ampliação das exceções evitou uma reação mais intensa do dólar, mas não elimina a volatilidade nos próximos meses. “O mercado de câmbio recebeu o tarifaço com uma reação menos intensa porque a ampliação das exceções reduziu o impacto imediato sobre setores relevantes para a geração de divisas do Brasil. Isso limita, mas não elimina a pressão sobre o real”, explica.

Continua após a publicidade

Segundo ele, o principal risco está na mudança de comportamento das empresas exportadoras e importadoras. “Exportadores afetados podem adiar a conversão de receitas, renegociar contratos e ampliar operações de proteção, enquanto importadores tendem a antecipar compras de dólares diante da incerteza. Esse desencontro entre oferta e demanda por moeda estrangeira pode elevar a volatilidade mesmo sem uma deterioração imediata da balança comercial.”

Outro fator que permanece no radar é a possibilidade de novas sanções comerciais. “O cenário continua aberto porque uma investigação paralela nos Estados Unidos pode resultar em uma tarifa adicional de 12,5 pontos percentuais, elevando a carga total para 37,5% sobre parte dos produtos brasileiros. Esse adicional ainda não foi confirmado, mas já começa a ser incorporado aos preços como fator de risco”, afirma.

Diversificação ganha força

Para os investidores, o episódio reforça a importância de reduzir a concentração dos investimentos no mercado doméstico, avalia Fábio Murad, sócio e fundador da Ipê Avaliações. “O tarifaço não é apenas um choque comercial, mas um alerta sobre o custo de concentrar todo o patrimônio em uma única economia e em uma única moeda”, afirma. Segundo Murad, a resposta não deve ser comprar dólares apenas em momentos de crise, mas construir uma estratégia internacional de longo prazo. “O investidor não deve tratar a diversificação internacional como uma operação emergencial. Ela precisa ser construída de forma gradual, combinando diferentes moedas, setores, regiões e fontes de geração de caixa.”

Continua após a publicidade

O especialista lembra que o próprio mercado americano mostra a importância dessa diversificação. Enquanto o S&P 500 segue próximo das máximas do ano, empresas de tecnologia ligadas ao setor de semicondutores vêm pressionando o Nasdaq.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em verde-limão O MÊS É DO CLIENTE. e em branco A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua.. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos, e ao lado, uma árvore estilizada em verde-limãoMão segurando um smartphone com aplicativo de notícias exibindo manchetes e produtos, ao lado do texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua em fundo verde-escuro, com um ícone de árvore no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Básico

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital, você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 10,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).