Ibovespa cai após ata do Copom, IPCA e rebaixamento do Brasil pelo JPMorgan
Banco americano estima muita volatilidade e cortou projeção para o Ibovespa de 190 mil pontos para 185 mil pontos ao fim de 2026
O Ibovespa opera em queda nesta terça-feira, 11, pressionado por uma agenda macroeconômica carregada, com a divulgação da ata do Copom e dos dados de inflação. Além disso, o JPMorgan rebaixou a recomendação para as ações brasileiras de compra para neutra, aumentando a pressão sobre os ativos locais.
Por volta das 15h30, o Ibovespa recuava 2,5%, aos 167,8 mil pontos. O dólar subia 1,22%, cotado a 5,17 reais. Para Elson Gusmão, diretor de câmbio da Ourominas, o mercado recebeu sinais contraditórios nesta terça-feira.
O IPCA avançou apenas 0,07% em julho e desacelerou para 4,44% em 12 meses, abaixo do teto da meta. O resultado mensal, porém, ficou acima da alta de 0,03% esperada pelo mercado.
“Para a política monetária, essa diferença reduz a força da leitura positiva, porque indica que a desinflação ocorreu em ritmo menor que o projetado”, afirma Gusmão.
A ata do Copom reforçou essa cautela ao destacar a inflação ainda pressionada pela demanda e alertar que efeitos indiretos do petróleo e de choques climáticos podem exigir uma reação firme da política monetária. Segundo Gusmão, na curva de juros, a combinação entre um IPCA acima das expectativas e uma comunicação mais dura do Banco Central tende a reduzir as apostas em uma sequência rápida de cortes da Selic.
“Os vencimentos curtos passam a incorporar maior possibilidade de pausa após uma eventual redução em setembro, enquanto os prazos longos permanecem expostos ao risco fiscal, ao petróleo e à inflação internacional”, conclui Gusmão.
JPMorgan rebaixa ações brasileiras com fim do ciclo de cortes da Selic e eleições
Outro fator que pressiona os ativos brasileiros é o relatório do JPMorgan, que rebaixou a recomendação para as ações do país de compra para neutra. Segundo os analistas, o fim do ciclo de cortes de juros, combinado com a aproximação das eleições, deve aumentar a volatilidade do mercado acionário local.
O JPMorgan espera um corte de 0,25 ponto percentual na Selic em setembro, seguido por uma longa pausa até o segundo trimestre de 2027. Ao mesmo tempo, o banco prevê desaceleração do crescimento econômico e deterioração do ciclo de crédito.
“As perspectivas para a política econômica continuam incertas, uma vez que quem vencer as eleições de outubro terá de lidar com taxas de juros reais elevadas, na casa de um dígito alto, e com um déficit fiscal”, afirma o banco americano.
Segundo os analistas, tanto as ações brasileiras quanto o real permanecem negociados dentro de uma faixa desde maio, o que sugere que os preços incorporam pouco prêmio ou desconto relacionado às eleições.
Do ponto de vista técnico, o banco destaca que o mercado acionário brasileiro costuma apresentar desempenho mais fraco nos seis meses que antecedem as eleições, algo que não ocorreu neste ano. Na avaliação do JPMorgan, esse histórico reforça a possibilidade de aumento da volatilidade durante o período eleitoral.
“Diante desses pontos, preferimos ficar à margem dos ativos no Brasil neste momento”, conclui o banco, que reduziu suas estimativas do Ibovespa de 190 mil para 185 mil pontos, reconhecendo um grau de incerteza maior que o habitual. O JPMorgan se somou ao UBS, que também cortou recomendação de ativos brasileiros de compra para neutro em maio deste anos.







