Ibovespa cai 1,24% após tarifaço dos EUA ampliar aversão ao risco no mercado
Investidores reagiram ao aumento das tensões comerciais entre Brasil e EUA, enquanto dólar avançou e ações de empresas exportadoras lideraram as perdas
O Ibovespa encerrou o pregão desta quinta-feira, 17, em queda de 1,24%, aos 173.825 pontos, em uma sessão marcada pelo aumento da aversão ao risco após a confirmação das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras. O movimento também pressionou o câmbio, com o dólar voltando a se aproximar de 5,10 reais, enquanto investidores reavaliaram os impactos da medida sobre empresas exportadoras e o ritmo da economia.
Segundo André Matos, CEO da MA7 Negócios, o mercado reagiu principalmente ao aumento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. “O pregão desta quinta-feira foi marcado por uma forte aversão ao risco no mercado financeiro brasileiro, impulsionada pela confirmação das novas sobretaxas dos Estados Unidos contra produtos nacionais. Esse ambiente de instabilidade comercial e diplomática gerou um movimento claro de busca por proteção no câmbio, sustentando a alta do dólar ao longo do dia”, afirma.
Na avaliação do especialista, o fortalecimento da moeda americana reflete o aumento do prêmio de risco exigido pelos investidores diante da deterioração do ambiente externo. “O comportamento do dólar evidencia não apenas o peso financeiro da medida, mas também o receio de uma guerra comercial mais ampla, agravado pelas indicações de que o governo brasileiro poderá responder às tarifas”, diz.
Além das incertezas no comércio internacional, o pregão também foi pressionado por fatores domésticos. Indicadores mais fracos do varejo reforçaram as preocupações com a atividade econômica, afetando empresas voltadas ao mercado interno e ampliando o movimento de vendas na Bolsa.
Para Fábio Murad, sócio e fundador da Ipê Avaliações, apesar da reação negativa, o mercado absorveu o anúncio de forma relativamente controlada. “O fechamento desta quinta-feira mostrou que o mercado recebeu o novo tarifaço dos Estados Unidos com cautela, mas sem pânico.”
Segundo ele, a ampliação da lista de exceções, que passou a proteger mais de 800 produtos brasileiros, ajudou a reduzir os impactos imediatos, principalmente para segmentos relevantes do agronegócio. Ainda assim, a medida aumenta a insegurança para empresas exportadoras, reduz a previsibilidade das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos e pode pressionar investimentos, margens e decisões de produção.
Murad destaca que a queda do Ibovespa não ficou restrita às companhias diretamente afetadas pelas tarifas. A desvalorização de ações de empresas como Vale, Petrobras e grandes bancos mostrou que o movimento foi mais amplo, refletindo uma postura defensiva dos investidores diante das incertezas externas e do cenário doméstico.
Com a combinação de tensões comerciais, dados domésticos mais fracos e aumento da cautela global, o mercado deve continuar monitorando os próximos desdobramentos das negociações entre Brasil e Estados Unidos para avaliar se os efeitos do tarifaço serão pontuais ou poderão comprometer a atividade econômica nos próximos meses.







