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Ibovespa atinge recorde histórico, mas perde o fôlego

Estímulos fiscais mundo afora aumentam liquidez do mercado de ações, mas não foram suficientes para bolsa brasileira atingir os 120 mil pontos

Por Felipe Mendes Atualizado em 29 dez 2020, 18h44 - Publicado em 29 dez 2020, 18h43

Em um ano marcado pela volatilidade no mercado financeiro, o Ibovespa, enfim, superou o patamar registrado no último janeiro. Logo na abertura do pregão, o indicador alcançou 119.731 pontos, com alta de 0,51% naquele instante — novo recorde histórico para o intradia. A expectativa era de que o indicador de desempenho das ações de empresas listadas na B3, a bolsa de valores de São Paulo, superasse pela primeira vez na história a barreira dos 120.000 pontos nesta terça-feira, 29. Mas não deu. O indicador até chegou a renovar o recorde. Por volta das 10h45, a bolsa registrou a sua maior pontuação no intradia: 119.860,91 pontos. Mas a euforia dos investidores se arrefeceu e o indicador terminou o dia com uma leve alta de 0,24%, cotado a 119.407 pontos — volume abaixo da pontuação recorde para um fechamento de pregão (119.593 pontos, alcançada no dia 24 de janeiro deste ano).

Parece que o otimismo dos investidores está andando de braços dados com a cautela nos últimos tempos. Para Glauco Legat, analista-chefe da corretora Nécton, alguns setores da economia ainda precisam mostrar maior poder de recuperação. “Está faltando alguns setores virem mais fortes. A gente teve, nos últimos dois meses, os bancos e as empresas de commodities com bons desempenhos. Mas talvez esteja faltando uma retomada mais robusta no varejo”, aponta ele. Nesse sentido, vale destacar que, dentre as maiores quedas do pregão desta terça-feira, três são empresas de shopping centers (BrMalls, Multiplan e Iguatemi) e uma é do varejo on-line, a B2W. Em médio prazo, Legat estima que a bolsa sofra pressão pelo aspecto político e pela agenda fiscal do governo de Jair Bolsonaro. A corretora Nécton projeta que a bolsa de valores brasileira chegue ao patamar de 140.000 pontos em 2021.

Para Pablo Spyer, diretor da Mirae Asset e conselheiro da Ancord, a retomada do patamar da B3 neste fim de ano é impulsionada sobretudo pela liquidez do mercado. “A previsão de alguns bancos, como o JP Morgan, é de que possa ser injetado mais 6 trilhões de dólares na economia dos EUA em 2021 com o intuito de aliviar o estresse causado no mercado financeiro pela pandemia do novo coronavírus”, conjectura. “Tem muito dinheiro indo para países emergentes. Então, há espaço para a bolsa manter esse ritmo de evolução, que está sendo muito sustentada pela pessoa física”, complementa.

Tudo indica que a vacina para a Covid-19 será preponderante para que a bolsa busque novos recordes em 2021. O BTG Pactual, por exemplo, traça cenários distintos para o desempenho do Ibovespa no próximo ano. No mais otimista, a bolsa chegaria a 151.000 pontos. Todavia, possíveis estresses na condução da política econômica aliados a um cenário de piora na disseminação do novo coronavírus no país poderiam fazer com que o patamar recue a 81.000 pontos, algo desastroso de se imaginar. A maioria dos bancos, no entanto, mantém projeções modestas para o próximo ano. JP Morgan, Bank of America e Santander calculam a bolsa entre 125.000 e 135.000 pontos no próximo ano. “O que vai ditar o humor do mercado no próximo ano, sem dúvidas, é o comprometimento do governo com as reformas fiscais. Se o controle dos gastos fiscais for bem conduzido pelo governo, passará um sinal para os estrangeiros de que o país está levando a economia a sério. E isso será bom para os investidores da renda variável”, completa Spyer.

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