Ibovespa abre em queda com cautela sobre tarifas dos EUA e cenário geopolítico
Investidores acompanham impactos do tarifaço americano, negociações no Oriente Médio e temporada de balanços corporativos
O Ibovespa abriu em queda nesta sexta-feira, 24, refletindo a cautela dos investidores diante das incertezas no cenário internacional. Por volta da abertura, o principal índice da B3 recuava para 175 190 pontos, enquanto o mercado avaliava os possíveis impactos das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e acompanhava os desdobramentos das tensões no Oriente Médio.
Para Fábio Murad, sócio e fundador da Ipê Avaliações, o mercado ainda não encontrou um fator suficientemente forte para definir a direção dos negócios. “O Ibovespa opera próximo da estabilidade porque existe um equilíbrio entre fatores positivos e negativos. O tarifaço amplia a incerteza sobre as exportadoras e sobre uma eventual resposta do Brasil, mas seus efeitos devem aparecer de forma gradual nos resultados das empresas”, afirma.
Segundo o especialista, ao mesmo tempo em que as tarifas pressionam o sentimento dos investidores, a perspectiva de avanço nas negociações envolvendo o Oriente Médio reduz parte do prêmio de risco geopolítico incorporado aos ativos nos últimos dias. “Esse cenário impede tanto uma recuperação consistente quanto uma venda generalizada das ações brasileiras. Além disso, a proximidade do fim de semana faz com que muitos investidores evitem ampliar posições antes de possíveis anúncios comerciais ou militares”, explica.
Murad acrescenta que o comportamento do Ibovespa ao longo do pregão deverá continuar sensível às notícias envolvendo a política comercial dos Estados Unidos, à trajetória dos preços do petróleo e à divulgação dos resultados corporativos, que podem provocar movimentos mais expressivos em ações de maior peso no índice.
No mercado de câmbio, o dólar operava praticamente estável, com leve queda de 0,06%, cotado a 5,08 reais, após avançar 0,63% na sessão anterior. Para o especialista, a oscilação da moeda reflete um equilíbrio entre fatores que favorecem e pressionam o real. “O alívio nas negociações sobre o Oriente Médio reduz momentaneamente a busca por proteção, enquanto o elevado diferencial de juros no Brasil continua dando suporte ao real. Por outro lado, o mercado ainda precisa medir os impactos das novas tarifas sobre as exportações, a atividade econômica e o fluxo de dólares para o país”, diz.







