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Iata teme alta em tarifa aeroportuária após privatização

Associação internacional do setor faz alerta para que experiências sul-africana e indiana não se repitam no Brasil

Por Da Redação 6 ago 2012, 16h51

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) teme que os altos valores pagos nos leilões de aeroportos de Guarulhos, Campinas e Brasília – que tiveram um ágio médio de cerca de 350% – acabem causando forte aumento nas tarifas aeroportuárias, a exemplo do que ocorreu em outros países. “Na África do Sul, as tarifas subiram 70% em 2011. No aeroporto de Nova Délhi, na Índia, devido à construção de um novo terminal em tempo recorde, 36 meses, o reajuste das tarifas foi de 600%. Hoje, o aeroporto de Nova Délhi é o mais caro da Ásia”, disse nesta segunda-feira Carlos Ebner, diretor da Iata no Brasil.

Segundo ele, a discussão de que Guarulhos tem entre seus principais competidores os aeroportos de Campinas e o Galeão, no Rio de Janeiro, não faz sentido. “Os reais concorrentes de Guarulhos são os aeroportos de Lima, Miami e Madri”, disse. Na sua opinião, é preciso transformar Guarulhos num “hub internacional” e seus custos e infraestrutura têm de ser competitivos em relação a outros aeroportos do mundo. “O Brasil ainda oferece um baixo índice de conectividade e tem o combustível de aviação mais caro do mundo”, disse. “Precisamos pensar fora da caixa”, diz Ebner.

O diretor da Iata participa do Aeroinvest 2012 – 3º Fórum Internacional de Investidores em Infraestrutura Aeroportuária, que está sendo realizado em São Paulo.

Demanda – Dados da Iata divulgados nesta segunda-feira mostram que o Brasil registrou em junho crescimento de 13,8% na demanda doméstica por transporte aéreo em relação ao mesmo período de 2011. A variação representou o dobro da expansão da capacidade, que foi de 6,5%.

A tendência de crescimento do tráfego desde o início do ano enfraqueceu com a queda de 1% na demanda doméstica de junho em relação a janeiro.

Em todo o mundo, a demanda por viagens aéreas cresceu 6,2% no sexto mês do ano ante igual mês de 2011. Entre fevereiro e junho, o crescimento anual foi de 2% ante os 8% registrados entre julho de 2011 e janeiro de 2012, o que aponta uma desaceleração, segundo a Iata.

O volume de carga de junho registrou aumento de 0,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Esta taxa significa que a demanda no mês, ajustada sazonalmente, encontra-se 2,5% acima do mínimo atingido no quarto trimestre de 2011.

No que diz respeito ao mercado doméstico de outros países, o relatório aponta que houve na China crescimento de 7,8% em junho deste ano em relação a junho de 2011, abaixo da expansão de 8,7% na capacidade. Nos Estados Unidos, o aumento foi de 0,8% comparando-se o mesmo período, enquanto o crescimento de capacidade foi de 0,1%. O fator de carga norte-americano foi de 86,6% e o chinês, 81,3%.

(com Agência Estado)

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