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IA avança nos hospitais e já é usada por 26% das instituições privadas no Brasil, segundo pesquisa

Tecnologia pode acelerar diagnósticos e reduz desperdícios, mas especialistas defendem limites regulatórios e manutenção da decisão médica humana

Por Felipe Erlich Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 29 Maio 2026, 07h09
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A inteligência artificial vem ganhando espaço na saúde suplementar brasileira e já é usada por parte relevante das instituições privadas do país para acelerar diagnósticos, reduzir desperdícios e melhorar a eficiência operacional. Cerca de 26% das instituições privadas de saúde no Brasil já utilizam IA em atividades como auxílio diagnóstico, aceleração de laudos, auditoria de exames e gestão operacional, segundo a pesquisa TIC Saúde 2025, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) e pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).

Os dados da pesquisa apontam ainda que a média nacional de adoção de inteligência artificial em unidades públicas e privadas de saúde é de 18%. Nas unidades ligadas ao SUS o percentual é de 11%.

A incorporação da IA tem sido vista pelas empresas como uma alternativa para enfrentar problemas históricos do setor, entre eles o absenteísmo em consultas médicas, a duplicidade de exames, falhas operacionais e a lentidão na análise de imagens médicas.

Na prática, algumas das principais companhias do setor já ampliaram o uso da tecnologia em suas operações. A Hapvida NotreDame Intermédica, por exemplo, implementou sistemas de auditoria baseados em inteligência artificial capazes de analisar exames e imagens com precisão estimada entre 95% e 99%.

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A operadora também anunciou recentemente um plano de expansão de 2 bilhões de reais sustentado em tecnologia e inteligência de dados. A expectativa é aumentar ganhos de produtividade e reduzir custos operacionais em diferentes áreas da companhia.

Já a Rede D’Or vem utilizando algoritmos preditivos para aprimorar sua gestão operacional. Segundo informações divulgadas pela empresa, a integração tecnológica com a SulAmérica contribuiu para ganhos de eficiência estimados em 1,4 bilhão de reais.

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No segmento de medicina diagnóstica, a Dasa aposta em sistemas integrados de inteligência artificial para consolidar históricos clínicos e evitar exames repetidos, considerados uma das principais fontes de desperdício financeiro da saúde suplementar.

Para o advogado especializado em Direito da Saúde Ricardo Yamin, do YFN Advogados, o avanço da IA representa uma mudança estrutural no modelo de operação das empresas do setor, mas exige cautela regulatória. “A Inteligência Artificial pode reduzir desperdícios bilionários na saúde suplementar e melhorar a eficiência operacional das empresas, mas ela não substitui a responsabilidade técnica do médico nem a responsabilidade civil das operadoras. A palavra final sobre diagnósticos e tratamentos precisa continuar sendo humana”, diz.

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Segundo Yamin, o principal desafio nos próximos anos será equilibrar os ganhos de eficiência proporcionados pela tecnologia com a preservação da segurança assistencial, da transparência nas decisões médicas e da proteção ao consumidor.

A pesquisa TIC Saúde 2025 teve abrangência de 3.270 gestores de estabelecimentos de saúde em todo o país entre fevereiro e novembro do ano passado. O levantamento utiliza dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), mantido pelo Ministério da Saúde.

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