Hurst lança operação para brasileiros investirem na Kalshi de Luana Lopes Lara
Aportes mínimos serão de R$ 10 mil e devem ser realizados
A Hurst Capital anunciou uma nova operação financeira que permite a investidores brasileiros acessar, de forma indireta, o capital fechado da Kalshi, plataforma norte-americana de contratos de eventos regulada pela Commodity Futures Trading Commission (CFTC). A informação foi enviada a Veja Negócios nesta quarta-feira, 1°.
A estrutura utiliza Certificados de Recebíveis (CRs) e possibilita aplicações a partir de R$ 10 mil, reduzindo significativamente o valor mínimo normalmente exigido para investimentos em rodadas privadas de empresas de tecnologia.
Segundo a gestora, o CR dá exposição econômica às ações da Kalshi antes de um eventual evento de liquidez, como uma oferta pública inicial (IPO), recompra de ações ou venda no mercado secundário. A operação funciona por meio de uma estrutura em cadeia: os recursos captados no Brasil são direcionados à HRM One Limited, que investe na Aliya Growth Fund LLC – Séries BS, veículo internacional gerido pela Aliya Capital Partners e que detém a exposição aos ativos da empresa norte-americana.
“O investidor adquire um título local em reais que espelha os retornos econômicos do investimento no exterior, incluindo resultados provenientes de futuros eventos de liquidez”, afirma o COO da Hurst Capital, Breno Reis.
Fundada em 2018, a Kalshi opera um mercado de previsões em que investidores negociam contratos atrelados a eventos do mundo real, como indicadores econômicos, clima, eleições e resultados esportivos. A plataforma é regulada pela CFTC e funciona de maneira semelhante a uma bolsa de valores, mas voltada para contratos de eventos. A plataforma pertence a Luana Lopes Lara, a mais jovem bilionária
A oferta ocorre após a conclusão da rodada de financiamento Série F da Kalshi, que elevou o valor de mercado da companhia para US$ 22 bilhões, o dobro dos US$ 11 bilhões registrados na Série E, encerrada em novembro de 2025. A captação contou com a participação de investidores institucionais como Coatue, Sequoia, Paradigm, CapitalG, Razor Capital e Tradeweb Markets. De acordo com a Hurst, projeções consideradas na tese de investimento apontam para um valuation entre US$ 35 bilhões e US$ 80 bilhões em um futuro evento de liquidez.
A empresa também destaca o crescimento acelerado da plataforma. Em fevereiro de 2026, a Kalshi movimentou mais de US$ 10 bilhões em volume mensal de negociações, cerca de 12 vezes acima do registrado seis meses antes. A receita anualizada estimada para este ano é de aproximadamente US$ 1,5 bilhão, com movimentação diária média superior a US$ 30 milhões.
Segundo a Hurst, a estrutura busca democratizar o acesso a investimentos normalmente restritos a grandes investidores. Em operações diretas no mercado privado internacional, os aportes mínimos costumam variar entre US$ 500 mil e US$ 1 milhão, além da necessidade de estruturas offshore. Com o CR, o investimento mínimo é de R$ 10 mil.
O prazo estimado para liquidação da operação varia entre 40 e 60 meses, conforme as condições de mercado e as decisões do gestor do veículo internacional. As simulações apresentadas pela gestora indicam retorno potencial entre 15% e 25% ao ano em dólares, dependendo do valuation alcançado pela Kalshi em um futuro evento de liquidez. Os rendimentos seguem a tributação aplicável à renda fixa no Brasil, enquanto a Hurst cobrará taxa de performance de 10% sobre o ganho que exceder o principal corrigido pela variação do CDI.






