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‘HSBC não quer ser um grande banco de varejo no Brasil’

Em entrevista ao site de VEJA, Douglas Flint reconhece avanços econômicos no país. E afirma que banco não entrará na disputa por clientes com grandes instituições, como Bradesco e Itaú

O ano de 2012 não foi tão memorável para algumas instituições bancárias brasileiras. O impacto do alto endividamento, da inadimplência e do esfriamento da economia sobre os resultados dos bancos fez com que as taxas de crescimento de dois dígitos – vistos em outros anos – desaparecessem dos balanços. O britânico HSBC, 7° maior banco do Brasil, não só foi impactado como chegou ao ponto de diminuir de tamanho – seus ativos totais recuaram 11,8% e a carteira de crédito, 0,5%. O lucro do banco no Brasil caiu 2,6% no período, para 1,3 bilhão de reais. Apesar do quadro menos animador, o presidente do conselho do banco, o escocês Douglas Flint, afirmou não estar desapontado com o desempenho do HSBC no país. Flint disse ainda que não está interessado em concorrer com as grandes instituições, como Banco do Brasil, Itaú e Bradesco. “Não somos e nem queremos ser um dos maiores bancos de varejo do Brasil. Nosso papel é, sobretudo, conectar investidores brasileiros com o resto do mundo e vice-versa”, afirmou Flint ao site de VEJA durante o St Gallen Symposium, evento econômico que ocorre anualmente na Universidade de St Gallen, na Suíça. Confira trechos da entrevista.

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Os bancos brasileiros tiveram lucros sem precedentes nos últimos anos devido, sobretudo, ao avanço do consumo e do crédito à classe C. O HSBC não aproveitou esse momento como outros bancos. Por quê?

Não somos e nem queremos ser um dos maiores bancos de varejo do Brasil. Nosso papel é, sobretudo, conectar investidores brasileiros com o resto do mundo e vice-versa. A enorme parceria comercial que existe entre o Brasil e a China, por exemplo, e a expansão do comércio exterior na última década são atividades que nós conseguimos intermediar e facilitar. E isso cria riqueza, crescimento econômico, empregos e novas empresas. Nosso objetivo é dar suporte à indústria que cria emprego e fazemos isso por meio da intermediação de investimentos.

O desempenho do Brasil – e dos emergentes – não tem desapontado o banco?

Não, de forma alguma. É até mesmo um afronta a forma como esses mercados vêm crescendo e se desenvolvendo ao longo da última década. Tanto que agora são chamados de mercados de rápido crescimento – não mais de emergentes, pois eles já emergiram. São mercados que investiram em educação e têm abundância recursos naturais. O que é, definitivamente, o caso do Brasil.

Mas o Brasil, e os Brics em geral, vêm mostrando ritmo menos robusto de crescimento.

O ritmo diminuiu porque a economia vem se acomodando. Ainda assim, é um ritmo mais acelerado do que na Europa e nos Estados Unidos. Não seria saudável para o Brasil crescer 7,5% ao ano todos os anos, pois o crescimento poderia sair do controle e impulsionar ainda mais a inflação. Agora há uma pausa para a consolidação que faz com que não haja o superaquecimento. Mas isso não significa que o país esteja em situação ruim. Essa acomodação que ocorre no mercado brasileiro se deve também ao impacto da crise externa. Não é suficiente para criar pessimismo em relação ao país.

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A queda dos juros forçada pelo governo entre 2011 e 2012 impactou a operação brasileira do banco?

Sim, impactou. Apesar de a prática de juros altos não ser nada ruim para os bancos, essa queda mostra que o mercado financeiro está avançando e que o custo do capital tende a ficar menor no Brasil, o que fará com que mais pessoas e empresas tenham acesso ao crédito e ao consumo. E isso é bom para o crescimento econômico. Além disso, a balança comercial tem mostrado resultados favoráveis ao longo dos últimos anos, apesar da recente queda das exportações. E, além da vontade do governo, os juros estão caindo porque a economia está melhor. E mesmo com essa queda, é preciso notar que o spread do Brasil continua muito alto em relação aos outros países. Isso mostra que ainda há espaço para juros mais baixos.