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Honda planeja cortar US$ 9,4 bilhões em custos para enfrentar avanço chinês

Montadora pediu aos fornecedores uma redução de 30% em três categorias de componentes e pretende ampliar o uso de peças produzidas na China

Por Ligia Moraes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 set 2026, 15h48 | Atualizado em 4 set 2026, 11h44
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A Honda pretende reduzir seus custos em 1,5 trilhão de ienes, o equivalente a 9,4 bilhões de dólares, até 2030 para recuperar a competitividade de sua divisão de automóveis diante do avanço das montadoras chinesas. A empresa pediu aos fornecedores cortes de 30% nos preços de três grupos de componentes, segundo documentos internos analisados pela Reuters.

As reduções estão concentradas em peças prensadas e forjadas, componentes elétricos e tecnologias utilizadas nos chamados veículos definidos por software. O termo se refere a carros cujas funções podem ser controladas e atualizadas por programas, de maneira semelhante ao que ocorre com celulares e computadores.

Executivos da Honda apresentaram o plano a grandes fornecedores durante uma reunião realizada neste ano em Utsunomiya, cidade japonesa localizada ao norte de Tóquio e próxima de uma unidade de pesquisa e desenvolvimento da companhia. Posteriormente, cada empresa recebeu metas específicas de redução de custos, segundo duas pessoas ouvidas pela Reuters sob condição de anonimato.

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A montadora também orientou seus fornecedores diretos a rever a forma como compram matérias-primas e componentes. Entre as medidas propostas estão a adoção de peças padronizadas fornecidas por empresas menores e a ampliação do uso de componentes fabricados na China.

A dimensão dos cortes mostra a pressão provocada por fabricantes como BYD e outros grupos chineses, que conquistaram mercado na Ásia, na Europa e na América Latina com carros elétricos mais baratos. Essas empresas também avançaram em tecnologias de baterias e programas usados para controlar os veículos.

Uma das fontes ouvidas pela Reuters classificou as metas como “extremamente grandes” e afirmou que ainda não está claro se os fornecedores conseguirão cumpri-las. Outra pessoa disse que a situação agora parece não deixar “espaço para demora”.

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Procurada, a Honda não confirmou os valores nem os detalhes das conversas. A empresa informou apenas que trabalha com fornecedores de diferentes países para melhorar sua competitividade e reduzir custos, inclusive por meio da padronização de componentes.

A pressão sobre os fornecedores ocorre num momento de dificuldades para a operação de automóveis da Honda. A companhia estima que os prejuízos relacionados aos veículos elétricos possam superar 12 bilhões de dólares e passou a concentrar uma parcela maior de sua estratégia em modelos híbridos, que combinam motores elétricos e a combustão.

Além da concorrência chinesa, as fabricantes japonesas enfrentam as tarifas de importação adotadas pelo governo do presidente americano Donald Trump, o aumento dos custos trabalhistas e a necessidade de investir em novas tecnologias. O desenvolvimento de baterias, sistemas eletrônicos e programas para veículos exige aportes elevados e pressiona as margens das montadoras tradicionais.

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A Honda também procura dividir parte desses gastos com outras fabricantes. Nesta semana, a companhia e a Nissan anunciaram que desenvolverão conjuntamente componentes eletrônicos e programas para veículos de nova geração. A arquitetura compartilhada deverá começar a ser utilizada no ano fiscal de 2029 e busca reduzir despesas de desenvolvimento e aumentar a escala de produção. A parceria ocorre depois de as duas empresas encerrarem, no ano passado, as negociações para uma fusão.

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