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Hidrovia ‘seca’ e transfere carga para caminhões

Parte mais crítica da Hidrovia Tietê-Paraná está entre as usinas de Três Irmãos, em Andradina, e Nova Avanhandava, em Buritama, no oeste de São Paulo

Por Da Redação 28 fev 2014, 11h22

A queda no nível do rio Tietê em razão da falta de chuvas já reduziu em um terço a capacidade dos comboios que transportam cargas pela Hidrovia Tietê-Paraná, no Estado de São Paulo. O “apagão” ocorre num momento em que a safra de grãos no Centro-Oeste do país atinge o ponto máximo. Um grande volume de soja e milho foi transferido para a rodovia e representa mais 133 caminhões por dia chegando ao Porto de Santos, segundo o diretor do Departamento Hidroviário do Estado, Casemiro Tércio Carvalho. “Temos 20 comboios na via e estamos deixando de levar duas mil toneladas por comboio. Isso vai dar quatro mil viagens a mais de caminhão por mês.”

O problema mais crítico ocorre entre as usinas de Três Irmãos, em Andradina, e Nova Avanhandava, em Buritama, no oeste do Estado. O nível do reservatório caiu de 46,35% no dia 1º de fevereiro para 39,16% na última quarta-feira. A cota do lago baixou para 325,05 metros do nível do mar e, se cair mais um pouco, a navegação terá de ser interrompida. O calado – parte do casco da embarcação que afunda na água com a carga – foi reduzido de 2,70 metros para 2,25 metros.

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Além da falta de chuvas, concorre para o agravamento nas condições da hidrovia o uso da água para geração de energia elétrica nas usinas de Três Irmãos e Ilha Solteira – os reservatórios são interligados. Para atender a um aumento recorde no consumo de energia, o Operador Nacional do Sistema (ONS) pede para que as usinas aumentem a geração e, consequentemente, isso demanda mais água.

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“O governo federal não assume que tem problema de geração e a ferrovia paga o pato”, disse o diretor do Departamento Hidroviário do Estado. Segundo Carvalho, em 2001 houve um problema semelhante, mas o governo não aprendeu a lição. “Não houve planejamento para enfrentar a situação atual, em que se conjugaram fatores climáticos extremos e aumento no consumo.” O ONS informou que o nível dos reservatórios é controlado pelas usinas de forma a garantir o mínimo necessário para a navegação.

Carvalho já admite o risco de parar a hidrovia por falta de água para navegar. Esse risco de paralisação ocorre num momento em que a hidrovia Tietê-Paraná vive um ritmo de crescimento de quase 11% ao ano, segundo ele. No ano passado, foram transportadas 5,9 milhões de toneladas – 40% desse total eram soja e milho.

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Reservatórios – O nível de armazenamento dos reservatórios das Regiões Sudeste e Centro-Oeste terminou a última quarta-feira em 35% pela primeira vez desde 2001. Segundo dados do ONS, o nível, de 34,9%, está bem abaixo de um ano atrás, quando os reservatórios das regiões operavam com 45,2% da capacidade total.

A piora nos reservatórios das Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste não reflete apenas as fracas chuvas deste começo de ano, mas também a recuperação do consumo de energia com o aumento das temperaturas nos últimos dias. A situação também é dramática no Sul do país, onde os reservatórios das usinas encerraram a quinta-feira com um volume de água armazenado de 37,1%, o mais baixo desde 1999.

(com Estadão Conteúdo)

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