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Herbalife afirma que não é pirâmide

Em nota, empresa informa que seu modelo de negócios é o de venda direta e que sua atividade é "absolutamente legal"

Por Da Redação - 8 set 2013, 09h54

Acusada pelo megainvestidor americano Bill Ackman de ser uma pirâmide financeira, a empresa Herbalife afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que sua estratégia de atuação é a de ‘venda direta’, que consiste na distribuição de produtos por meio de uma rede de vendedores – e não no varejo. A Herbalife foi criada nos Estados Unidos há mais de 30 anos e sua sede fica nas Ilhas Cayman, um paraíso fiscal. A empresa tem ações listadas na Bolsa de Nova York desde dezembro de 2004.

A subsidiária da Herbalife no Brasil afirmou, em nota, que faz parte da Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD) e opera de maneira legal. “A ABEVD, legítima representante do setor de vendas diretas no país, inclusive, já esclareceu que o modelo de Marketing Multinível usado pela Herbalife é uma atividade absolutamente legal”, informa o comunicado.

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O principal argumento de Ackman para acusar a empresa é de que sua receita é proveniente da venda de estoques de produtos para os distribuidores, e não para os consumidores. A Herbalife nega. “A empresa opera por meio de um sistema de distribuição (venda direta) transparente, que movimenta seus produtos para o consumidor final por meio de uma rede de distribuidores independentes, os quais obtêm ganhos de maneira proporcional à revenda dos produtos. Portanto, seus ganhos não dependem da mera indicação ou recrutamento de novos distribuidores e, sim, da revenda dos produtos”, informou a empresa.

O modelo de negócio de marketing multinível é muito comum nos Estados Unidos e caracteriza empresas como Avon, Natura, e Tupperware. A estratégia prevê que os produtos sejam comercializados por meio de revendedores individuais que adquirem estoques e os vendem, muitas vezes, “de porta em porta”. Os ganhos de cada revendedor estão atrelados à quantidade de produto que vendem – e podem ser elevados se conseguirem angariar mais revendedores para a rede da empresa. No caso das pirâmides, o produto é uma mera fachada e os ganhos dos distribuidores estão, em grande parte, relacionados aos novos membros que aderem ao esquema.

Nos últimos dois meses, cerca de 80 firmas brasileiras têm sido investigadas pelo Ministério Público Federal por suspeita de formação de pirâmide. Os casos mais graves são TelexFree e BBom. Elas angariaram, juntas, mais de 1,3 milhão de distribuidores de produtos. O MPF afirmou, contudo, que a Herbalife não consta na lista de empresas investigadas. “Trata-se de uma empresa que existe há bastante tempo. E, em geral, esquemas de pirâmides não duram muito porque não são sustentáveis”, afirmou a procuradora Mariane Guimarães, do MP de Goiás, um dos órgãos que investiga as empresas suspeitas.

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