Guerra entre Estados Unidos e Irã derruba projeções para a economia global
Conflito no Oriente Médio eleva preços da energia e reduz expectativa de crescimento mundial para 3%
A economia mundial deve perder fôlego em 2026 diante dos impactos provocados pela guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel.
Em atualização divulgada nesta quarta-feira (8), o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu sua previsão para o crescimento global neste ano de 3,1% para 3%, citando como principal fator a escalada do conflito no Oriente Médio, que afetou cadeias de abastecimento de energia, elevou os preços das commodities e reacendeu as pressões inflacionárias.
Segundo o organismo, o Produto Interno Bruto (PIB) mundial desacelerará em relação aos 3,5% registrados em 2025, refletindo um ambiente econômico mais desafiador após meses de instabilidade geopolítica.
Embora a revisão seja relativamente pequena, o FMI afirma que ela evidencia o caráter prolongado dos efeitos da guerra sobre a atividade econômica global.
Os economistas da instituição destacam que os ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã, seguidos de retaliações iranianas contra infraestrutura energética da região, criaram um novo choque sobre uma economia que ainda se recuperava das consequências da pandemia de Covid-19 e da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Energia mais cara impulsiona inflação
A principal consequência econômica do conflito foi a interrupção parcial do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte mundial de petróleo e gás natural.
Os ataques contra navios petroleiros e as dificuldades logísticas elevaram os preços internacionais da energia durante vários meses, pressionando os custos de produção e os preços ao consumidor em diversos países.
Como consequência, o FMI estima que a inflação global subirá de 4,1% em 2025 para 4,7% em 2026, impulsionada principalmente pela alta das commodities energéticas.
O cenário permanece cercado de incertezas. Novos ataques contra embarcações que cruzavam o Estreito de Ormuz nesta semana levantaram dúvidas sobre a estabilidade do cessar-fogo firmado recentemente entre Estados Unidos e Irã. Ao mesmo tempo, o governo americano revogou uma licença temporária que permitia ampliar as exportações de petróleo iraniano, reduzindo novamente a oferta global da commodity.
Economia mostra resiliência apesar dos choques
Apesar da piora nas projeções, o FMI avalia que a economia mundial tem demonstrado capacidade de adaptação superior ao esperado.
O desempenho da atividade no primeiro trimestre de 2026 ficou acima das previsões anteriores, beneficiado por dois fatores principais: a expansão dos investimentos em inteligência artificial e o avanço das energias renováveis, que ajudaram a reduzir parte da dependência do petróleo.
Segundo o relatório, esses elementos amorteceram parte dos efeitos negativos provocados pelo aumento dos preços da energia.
Oriente Médio sofre maior impacto
Os países produtores de petróleo no Oriente Médio aparecem entre os mais afetados pelo conflito, com expectativa de forte retração econômica ao longo deste ano.
No caso do Irã, entretanto, o FMI revisou levemente para cima suas perspectivas em comparação com abril, refletindo o período em que as sanções americanas sobre as exportações de petróleo haviam sido parcialmente flexibilizadas. Esse cenário mudou novamente nesta semana, após Washington cancelar a autorização temporária para vendas adicionais de petróleo iraniano.
Índia e China desaceleram
As economias mais dependentes de energia importada também sentirão os efeitos do choque nos preços do petróleo.
A previsão para o crescimento da Índia caiu para 6,4% em 2026, abaixo dos 7,7% registrados no ano anterior.
Na China, a expectativa é de expansão de 4,6%, contra 5% em 2025, refletindo tanto o aumento dos custos energéticos quanto um ambiente internacional mais fraco.
Estados Unidos mantêm projeção
Para os Estados Unidos, o FMI manteve praticamente inalterada sua estimativa divulgada em abril.
A economia americana deverá crescer 2,3% em 2026, sustentada pelo aumento das exportações de energia e pelos elevados investimentos em tecnologias ligadas à inteligência artificial.
Mesmo assim, a inflação continua sendo um tema central para a política econômica do país. Os preços dos combustíveis seguem pressionando consumidores, embora autoridades do banco central americano afirmem que os riscos inflacionários diminuíram nas últimas semanas.
Recomendação aos bancos centrais
Diante do cenário de elevada volatilidade, o FMI recomenda que bancos centrais mantenham prioridade no controle da inflação.
A instituição alerta que os formuladores de políticas econômicas precisarão equilibrar o combate à alta dos preços com o estímulo à atividade, enquanto acompanham tanto a instabilidade no mercado internacional de commodities quanto a crescente demanda por infraestrutura e tecnologia relacionada à inteligência artificial.
Na avaliação do Fundo, embora a economia global tenha demonstrado resiliência diante de mais um choque geopolítico, a combinação entre conflitos internacionais, energia mais cara e inflação persistente continuará sendo um dos principais desafios para o crescimento mundial ao longo de 2026.







