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Guerra comercial entre EUA e China derruba Ibovespa e bolsas pelo mundo

Negociações entre os dois países devem começar nesta quinta-feira, em Washington; com investidores apreensivos, Ibovespa cai 1,6%, e Dow Jones, 1,4%

A apreensão com as tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China levou a quedas significativas nas principais bolsas de valores do mundo. Negociações entre as duas nações estão previstas para começar nesta quinta-feira, 9, em Washington. Enquanto o presidente estadunidense, Donald Trump, acusa os chineses de quebrar o acordo que estava sendo costurado, representantes do país asiático assumem tom conciliador na expectativa de evitar o aumento de tarifas aos seus produtos, previsto para começar nesta sexta-feira, 10.

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, seguiu o movimento internacional e está em forte queda nesta quinta-feira, 9, de olho na relação entre China e Estados Unidos. Às 13h22, o tombo era de 1,6% para 94.103 pontos. No mesmo horário, o dólar apresentava alta de 0,8%, cotado a 3,97 reais na venda.

As bolsas de valores pelo mundo também operam em queda. No início da tarde, no mercado acionário americano, o índice Dow Jones caia 1,4%, e a bolsa eletrônica Nasdaq, 1,1%. Na Europa, a maior retração era na França (-1,9%), seguida por Alemanha (-1,7%) e Inglaterra (-0,9%). Os mercado asiáticos já fecharam nesta quinta-feira e também operaram no vermelho. A queda foi de 2,4% em Hong Kong, de 1,9% na China e de 0,9% no Japão.

O nervosismo dos investidores aumentou nesta quinta-feira, com mais notícias sobre as negociações entre os dois países. Na quarta-feira, 8, Trump disse que a China “quebrou o acordo” que estava sendo costurado e prometeu não recuar na imposição de mais tarifas sobre as importações chinesas, a menos que Pequim “pare de enganar nossos trabalhadores”.

Segundo ele, esse foi o motivo para que, no domingo, 5, anunciasse pelo Twitter um aumento de tarifas a mercadorias chinesas a partir de sexta-feira. A decisão foi confirmada pela Casa Branca e surpreendeu investidores que já esperavam por um acordo entre os dois países.

Na expectativa de evitar esse aumento de tarifas, membros do governo chinês liderados pelo vice-primeiro-ministro, Liu He, desembarcaram nos Estados Unidos para dois dias de negociações com os estadunidenses, a partir desta quinta-feira.

“O lado norte-americano deu muitos rótulos recentemente, ‘retrocesso’, ‘traição’ etc… A China dá grande importância à confiabilidade e mantém suas promessas, e isso nunca mudou”, disse o porta-voz do Ministério do Comércio chinês, Gao Feng, nesta quinta-feira. “Esperamos que os EUA possam encontrar um meio-termo com a China, cuidar das preocupações uns dos outros e resolver os problemas existentes por meio de cooperação e consultas”, acrescentou.

Apesar do tom conciliador, Feng afirmou que “a China não sucumbirá a nenhuma pressão” e que o país “fez preparativos para responder a todos os tipos de resultados possíveis”.

(Com Reuters)