Clique e Assine a partir de R$ 7,90/mês

Guedes sobre furar teto: ‘não adianta tirar 10 no fiscal e zero no social’

Ao lado de Bolsonaro, ministro justifica as soluções para acomodar o Bolsa Família no Orçamento como sendo equilíbrio da política e economia

Por Larissa Quintino Atualizado em 22 out 2021, 18h07 - Publicado em 22 out 2021, 15h52

Após boatos de que estava saindo do governo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, apareceu ao lado do presidente Jair Bolsonaro na tarde desta sexta-feira, 22. A coletiva, convocada após uma reunião entre os dois no Planalto, serviu para que Guedes justificasse os planos para bancar o Auxílio Brasil. As polêmicas da semana, como “licença para gastar” e a manobra da PEC dos precatórios para abrir espaço no teto de gastos  foram reafirmadas. Como justificativa, o ministro afirmou “não adianta tirar 10 no fiscal e zero no social”, minimizando assim os efeitos do drible na âncora fiscal.

“Fui mal interpretado, o que precisamos é de uma licença para gastar um pouco mais, não acabar com o fiscal”, afirmou o ministro. Segundo Guedes, a equipe econômica preferia a solução de gastar cerca de 30 bilhões fora do teto à troca do período de correção inflacionária da âncora fiscal, que consta no relatório da PEC, porém, a solução encontrada também seria válida.

O relatório da Proposta de Emenda à Constituição contém, além do limite de 40 bilhões de reais para o pagamento do precatórios em 2022 (quando vencem dívidas de 89,1 bilhões de reais), uma alteração na regra da correção do teto de gastos, considerando a inflação de janeiro a dezembro e não de julho a junho, como é atualmente. Com as mudanças, aponta o relator, seria aberto um espaço total de 83 bilhões de reais no Orçamento do próximo ano. Dessa forma, seria possível bancar os 400 reais a 17 milhões de famílias durante o ano eleitoral.

Conforme mostra VEJA dessa semana, o mergulho do governo no populismo fiscal traz consequências econômicas, como ainda mais pressão na inflação e a perda de confiança do investidor no Brasil. Na véspera, durante a apresentação do relatório da PEC e após uma semana de intensos ruídos sobre a fonte de custeio do Auxílio Brasil, quatro membros do Ministério da Economia, entre eles o secretário do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, e o secretário do Tesouro Nacional, Jefferson Bittencourt, pediram demissão. Sobre a debandada da equipe econômica, Guedes colocou panos quentes, colocando a juventude dos secretários como motivo para que eles não cedessem às negociações políticas e deixassem o governo. “Nós entendemos os mais jovens, nós entendemos a política que o teto é um símbolo, mas não vamos deixar os brasileiros desassistidos”. Para o lugar de Funchal, Guedes confirmou o ex-ministro do Planejamento, Esteves Colnago. Durante o anúnico, Guedes cometeu uma gafe, afirmando que seria André Esteves, sócio do BTG Pactual, a pessoa para o cargo.

Prestigiado

Antes da defesa de Guedes ao furo no teto de gastos, Bolsonaro afirmou que tem  “confiança absoluta” no ministro e que seu governo não fará “nenhuma aventura” na economia. “Tenho confiança absoluta nele. Ele entende as aflições que o governo passa”, disse.

Sobre o valor de 400 reais, que foi um meio termo entre os valores defendidos pela ala econômica (300 reais) e a ala política (600 reais), Bolsonaro afirmou que não há irresponsabilidade. “Deixo claro a todos os senhores: esse valor decidido por nós tem responsabilidade. Não faremos nenhuma aventura. Não queremos colocar em risco nada no tocante à economia”. Segundo Bolsonaro, as dificuldades na economia, com crescimento da inflação, não acontecem somente no Brasil. Por aqui, porém, as tensões políticas têm estressado o dólar e a moeda, causando efeito direto nos preços.

Continua após a publicidade

Publicidade