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Guedes diz que se tiver que empurrar Brasil a caminho errado prefere sair

Sem mencionar diretamente a intervenção de Bolsonaro na Petrobras, ministro reforça a importância da PEC Emergencial como contrapartida ao auxílio

Por Josette Goulart Atualizado em 2 mar 2021, 12h51 - Publicado em 2 mar 2021, 11h22

Depois de dez dias do entrevero com a Petrobras, o ministro da economia, Paulo Guedes, quebrou o silêncio. Em um podcast com o analista de investimento Thiago Nigro, que faz sucesso nas redes sociais, Guedes disse que queria explicar a economia para os milhões de seguidores do Primo Rico, o personagem criado por Nigro. Quebrar o silêncio é modo de dizer, já que em duas horas de programa nenhuma pergunta foi feita sobre o que havia acontecido na Petrobras. O presidente Jair Bolsonaro interferiu na empresa, quando forçou a troca do atual presidente Roberto Castello Branco por se recusar a segurar o preço do diesel e da gasolina. As ações da empresa despencaram e não se recuperaram até agora. Apesar de não se falar diretamente do assunto, o ministro deu algumas pistas. A principal delas foi dizer que nenhuma ofensa, medo, chuva ou vento o tiram do cargo de ministros. Mas afirmou que duas coisas podem tirá-lo de lá: a perda de confiança do presidente ou se ele, Guedes, tiver de empurrar o Brasil para o caminho errado. “Eu prefiro não empurrar, eu prefiro sair”.

“Isso não aconteceu. Eu tenho recebido apoio do presidente e do Congresso para ir na direção certa. De vez em quando, tem uma pedra no caminho, dou uma topada, mas por enquanto o saldo é positivo”, disse Guedes. Mas, a depender da forma como o Congresso escolher aprovar a nova fase do auxílio emergencial, o saldo pode começar a ficar no negativo.

  • No podcast, Guedes reforçou em diversos momentos que o Congresso precisa aprovar contrapartidas para o gasto extra que terá com as novas parcelas de auxílio, que deve ser votada ainda nesta semana dentro da PEC Emergencial que tramita no Congresso e já foi bem desidratada da proposta original. Ele disse, por exemplo, que gostaria que o Parlamento aprovasse o congelamento dos salários dos servidores ou a reforma administrativa para compensar os gastos com a Covid-19, ou seja, reforçar compromisso com a responsabilidade fiscal. “Podia ficar sem dar aumento de salário. Seriam 150 bilhões de reais entre o ano passado e este ano”, disse Guedes. “Dinheiro para a saúde é importante. Está aqui o auxilio. A contrapartida: vamos ficar sem aumento durante um ano ou dois para não empurrar para filhos e netos. Estamos empurrando divida para filhos e netos. Alguém paga a conta lá na frente”.

    A proposta do senador Márcio Bittar (MDB), que é o relator da PEC Emergencial, deve ser apresentada ainda nesta terça-feira. Na segunda-feira, em entrevista a CNN, o senador disse que a ideia é autorizar o governo federal a fazer mais dívidas para pagar o auxílio emergencial, mas ponderou que é também fundamental aprovar algo para conter o gasto público. Ele acredita que a proposta que vai apresentar ainda vai agradar o Ministério da Economia.

    O Congresso também será responsável por analisar outros pontos importantes da agenda de Guedes como as privatizações da Eletrobras e Correios, que tiveram suas propostas entregues na semana passada como uma tentativa de mostrar confiança ao mercado. Mas também é preciso se debruçar sobre reforma tributária e administrativa.

    Privatizar Petrobras

    Guedes também deu a entender que o governo estudo a criação de um fundo para os dividendos da Petrobras para ser usado como transferência de renda. “Tem uma turma que (quando fala de privatização) começa com a história de petróleo é nosso. Então dá pra gente! Vamos pegar os dividendos e entregar para o povo brasileiro. Principalmente para os mais frágeis. A gente não aprendeu que erradicar a pobreza tem que ter transferência de riqueza na veia? Pega os mais pobres e dá um pedaço pra ele. Ou dá dividendos pra eles. Ou vende (privatiza a Petrobras) e dá o dinheiro pra eles”, disse.

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