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Guedes defende Bolsonaro: ‘Tem direito de se preocupar com greves’

Ministro disse compreender intervenção do presidente na Petrobras e que há alinhamento para caso não se repetir

O ministro da Economia, Paulo Guedes, admite que foi informado por jornalistas sobre a intervenção que Jair Bolsonaro praticou nos preços do diesel da Petrobras – levando ações da companhia a despencarem. Ele, no entanto, disse entender a postura do presidente na ocasião e afirma que já houve alinhamento para que episódios assim não se repitam.

“O presidente, no exercício natural de suas funções, questionou como, em 15 dias, o preço do diesel poderia subir 5%. O presidente tem todo o direito de se preocupar com potenciais greves, de saber quais são os critérios [de reajuste], porque a Petrobras é uma empresa mista [é controlada pela União]”, ponderou Guedes em entrevista para a Folha de S. Paulo, publicada nesta quarta-feira 17.

O ministro afirmou confiar na “boa intuição política” do presidente. A exemplo do que comentou em coletiva de imprensa nesta terça, ele considerou justa a indagação sobre estarem “jogando diesel no chope” com o anúncio de aumento na semana em que se completavam 100 dias de governo.

“A principal mensagem é a seguinte: tem a dimensão política, que provocou a pergunta do presidente sobre o diesel, que é uma pergunta válida de um líder político. A inflação de um ano inteiro é 3,8%, como é que em 15 dias sobe 5%? Estão jogando diesel no meu chope?”, avaliou Guedes.

Ele diz que não existirão novas interferências nos preços da Petrobras, mas que o governo cobrará “explicações” sobre a fórmula: “o Castello [Branco, presidente da estatal] vai explicar para nós essa fórmula [de reajuste de preços], dará explicações. Nós vamos olhar e dizer: o problema é seu, porque quem forma preço é a Petrobras. Agora, vê se consegue formar preço de um jeito que todo o mundo entenda, que seja estável e que se possível não dê esse tipo de sobressalto”.

O ministro demonstrou também otimismo sobre a aprovação da reforma da Previdência e declarou que confia na “inteligência e na astúcia da classe política brasileira”.

“Ela [a reforma] vai existir. Não existe a menor dúvida. É incontornável. A questão é só a potência fiscal dela. Se ela for fraquinha, um remendo, como as anteriores, o governo continuará prisioneiro do baixo crescimento. Se ela for mais potente, sinaliza para o equilíbrio fiscal. Você abre a comporta e vão entrar ondas de investimento privado”, declarou.

“Se fizermos as reformas, de julho em diante vamos crescer a um ritmo de 6% anualizado”, projetou Guedes.

Ainda na entrevista, o ministro descreveu o Brasil como uma “democracia vibrante, o script de uma grande sociedade aberta que está se desenvolvendo há mais de 30 anos”. Para ele, a eleição de Bolsonaro mostrou a força da “classe média, esmagada entre as classes baixas, que começam a subir com as políticas de assistência da social-democracia, e os grandes negócios”.

“A classe média vinha sendo atingida em seus valores morais, vendo a corrupção toda, e do ponto de vista econômico, porque o Brasil cresceu nos últimos dez anos só 0,6% ao ano. Eu, por exemplo, recebi dos meus pais um país que crescia 7% em media ao ano”, expôs o ministro.