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Greve geral paralisa transporte e serviços públicos em Portugal

Os serviços públicos e os voos comerciais eram seriamente afetados nesta quinta-feira em Portugal devido a uma greve geral contra as medidas de austeridade impostas pelo governo de centro-direita em troca de ajuda financeira internacional.

A greve foi convocada pelos dois principais sindicatos do país, CGTP e UGT, e afetava todos os serviços públicos, como educação, saúde e justiça.

“A greve é um sacrifício pelo bem do país. É um cartão vermelho para o governo por sua ação, que conduz ao empobrecimento”, afirmou Manuel Carvalho da Silva, secretário-geral do CGTP, no aeroporto de Lisboa, diante de um painel de informações que anunciava o cancelamento dos voos previstos.

Quase todos os voos com saída e chegada em Portugal estavam cancelados nesta quinta-feira, segundo o site da ANA (Aeroportos de Portugal).

A companhia aérea TAP cancelou 121 voos comerciais dos 140 previstos. Os controladores de voo só garantirão um serviço mínimo às ilhas de Açores ou Madeira, enquanto outros 17 voos foram reprogramados.

Em Lisboa, o metrô estava parado e o serviço de transporte fluvial que conecta as duas margens do rio Tejo também se encontrava interrompido. O transporte ferroviário foi afetado pela greve.

“Tudo parece indicar que a mobilização será mais forte que durante a última greve geral de 24 de novembro de 2010”, disse João Proença, secretário-geral da UGT.

Cerca de 30 manifestações estavam previstas em todo o país, em particular em Lisboa, por iniciativa dos sindicatos e dos movimentos dos indignados.

“Entendo que as pessoas se manifestem, é a única maneira de expressar o descontentamento”, declarou à AFP João Pedro, um funcionário de 30 anos.

O objetivo da greve geral é protestar contra as medidas de austeridade aplicadas pelo governo de centro-direita em troca de uma assistência financeira de 78 bilhões de euros concedida pela União Europeia (UE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para financiar a dívida portuguesa.

Além de aumentar o IVA e o preço dos transportes, o plano de austeridade do governo afeta especialmente os funcionários. Seus salários foram congelados e no próximo ano perderão dois de seus 14 pagamentos anuais. No setor privado, o dia de trabalho aumentará em meia hora.

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, disse que a política de austeridade é “indispensável para tirar o país de sua situação” de crise.

Segundo estimativas oficiais, esta política de rigor provocará no próximo ano uma contração do PIB de 3%, e o desemprego atingirá 13,4% da população economicamente ativa.

O país recebeu outra má notícia nesta quinta-feira, quando a agência Fitch anunciou que rebaixou em um grau a nota de crédito portuguesa, de BBB- a BB+.

A Fitch informou que a nota tem uma perspectiva negativa, o que significa que pode ser rebaixada novamente devido “aos grandes desequilíbrios fiscais, a um alto endividamento em todos os setores e pelas perspectivas macroeconômicas adversas”.

Isto se traduziria em uma maior pressão sobre a dívida portuguesa, motivo que obrigou o país a pedir ajuda externa.