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Grécia volta a pressionar para baixo bolsas da Europa

Impasse sobre perdão da dívida e juros dos novos bônus impede conclusão da negociação e bolsas reagem com cautela

Índice pan-europeu Stoxx 600 perdeu 0,97 ponto, ou 0,38%, fechando a 256,04 pontos

As principais bolsas da Europa fecharam em leve queda, pressionadas pelos renovados temores de um calote da Grécia. As conversas do governo grego com os credores privados para a reestruturação da dívida estão emperradas, e a Standard & Poor’s disse nesta terça que o país deve declarar um calote e ser rebaixado para a categoria selective default ainda neste semestre. O índice pan-europeu Stoxx 600 perdeu 0,97 ponto, ou 0,38%, fechando a 256,04 pontos.

Nesta terça-feira, o diretor-gerente do Instituto Internacional de Finanças (IIF), Charles Dallara, afirmou que apresentou na última sexta-feira uma proposta para o governo da Grécia sobre a reestruturação da dívida do país. O IIF é um lobby de bancos que representa os credores privados da Grécia.

Segundo Dallara, a proposta apresentada é baseada nas premissas da reunião de cúpula da União Europeia de 25 de outubro do ano passado, quando se chegou a um acordo para um desconto de 50% no valor dos bônus gregos. Ele cobrou que todas as partes envolvidas nas negociações respeitem esse acordo, mas disse que o grande número de envolvidos gera uma complexidade enorme. Segundo Dallara, o tempo para um acordo sobre a reestruturação da dívida grega está se esgotando, mas ele não deu um prazo específico.

Os ministros de Finanças da União Europeia (Ecofin), reunidos em Bruxelas, pressionaram nesta terça os credores privados da Grécia para aceitar um juro nominal menor nos novos bônus que o país vai oferecer em troca dos títulos antigos.

Além disso, John Chambers, presidente do comitê de ratings soberanos da S&P, disse que a Grécia provavelmente vai declarar default e será rebaixada para a classificação de “default seletivo” em algum momento do primeiro semestre deste ano. A S&P classifica a Grécia com rating CC desde julho do ano passado.

“O que nós estamos vendo parece ser mais um sentimento geral de cautela em vez do início de um recuo forte”, comentou Chris Beauchamp, analista da IG Index, sobre o humor nos mercados europeus nesta terça-feira. Um fator positivo foi o dado sobre o índice dos gerentes de compra (PMI, na sigla eminglês) composto da zona do euro. Segundo dados preliminares da Markit, o índice subiu para 50,4 em janeiro, de 48,3 em dezembro. É o nível mais alto em cinco meses e coloca o indicador novamente acima de 50, o que aponta crescimento da atividade.

O índice DAX, da Bolsa de Frankfurt, perdeu 17,40 pontos (0,27%), fechando a 6.419,22 pontos. Os papéis do Commerzbank caíram 2,8%, enquanto o Deutsche Bank recuou 1,8%. Já a Siemens teve queda de 1,3%, após a companhia informar que teve lucro líquido de 1,44 bilhão de euros no seu primeiro trimestre fiscal (encerrado em 31 de dezembro), uma queda de 16,2% ante o lucro de 1,72 bilhão de euros no mesmo período do ano anterior.

Na Bolsa de Paris, o índice CAC 40 recuou 15,77 pontos (0,47%), fechando a 3.322,65 pontos. O setor bancário teve um desempenho muito ruim (Société Générale -5,4%, Credit Agricole -4,1% e BNP Paribas -1,9%). A companhia do setor de tecnologia STMicroeletronics teve desvalorização de 5,8%, depois de divulgar um prejuízo de US$ 11 milhões no quarto trimestre.

Em Londres, o índice FTSE teve queda de 30,66 pontos (0,53%), a 5.751,90 pontos. Ações de companhias de equipamentos eletrônicos, software e tecnologia foram as mais prejudicadas, após balanços negativos na Europa. Já a Hargreaves Lansdown perdeu 3,4%, depois do RBS rebaixar sua recomendação para o papel.

(Com Agência Estado)