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Grécia enfrenta novas passeatas e greve contra cortes

Inspeção da UE e do FMI no país deve divulgar relatório nesta terça-feira, essencial para conquistar a parcela de empréstimo de 8 bilhões de euros

Por Da Redação 11 out 2011, 08h55

Em jogo está um plano do governo para cortar os salários e pensões do setor público, que a Grécia prometeu em troca de mais ajuda financeira internacional

A Grécia enfrenta mais um dia de protestos nesta terça, com passeatas e greves contra os planos de cortes de gastos do governo. Há manifestações de professores, funcionários públicos municipais e empregados da maior refinaria do país. Grandes pilhas de lixo continuam a infestar as ruas de Atenas, pois funcionários municipais bloqueiam pela segunda semana a entrada para o principal lixão da cidade e também depósitos onde ficam os caminhões coletores de lixo. Manifestantes bloqueavam a entrada a ministérios enquanto inspetores da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) concluíam a visita que decidirá sobre a liberação de uma parcela de empréstimos que é essencial para o país evitar a bancarrota.

Um comunicado dos credores sobre os resultados de sua inspeção deve ser divulgado mais tarde nesta terça-feira, mas a aprovação final do desembolso – parcela de empréstimo de 8 bilhões de euros -, necessário para a Grécia pagar suas contas até meados de novembro, não virá antes que um relatório completo seja apresentado aos ministros das Finanças da zona do euro e ao conselho do FMI.

Em jogo está um plano do governo para cortar os salários e pensões do setor público, que a Grécia prometeu em troca de mais ajuda financeira internacional. Nas próximas duas ou três semanas, o Parlamento grego deve votar novas medidas de austeridade, que também cortam 30 mil dos 700 mil funcionários públicos. Esses 30 mil funcionários devem ficar em uma força de trabalho especial, com salários reduzidos. O plano também afeta trabalhadores de empresas com vínculos estatais, como a principal refinaria do país e também as companhias de tratamento de água em Atenas e Tessalonica, entre outras.

Na refinaria Hellenic Petroleum SA, funcionários fazem uma paralisação de 24 horas e ameaçam ampliar a greve para os próximos dias. A paralisação nas refinarias levou muitos motoristas aos postos, temendo a falta de combustível. Há notícias de que alguns proprietários aproveitaram para subir os preços nos postos durante a noite.

Os protestos devem continuar. Na quinta-feira, os funcionários públicos do setor de saúde e também guardas prisionais cruzarão os braços, enquanto funcionários da receita, de bancos e alfândegas preparam protestos para a próxima semana. As duas principais centrais sindicais da Grécia – GSEE, do setor público, e Adedy, do privado – convocaram uma greve geral para o dia 19.

O ministro das Finanças grego, Evangelos Venizelos, que se reuniu com os inspetores nos últimos dias, tentou passar uma mensagem tranquilizadora nesta terça-feira, descartando qualquer sugestão de que a Grécia poderia ser obrigada a sair do bloco monetário europeu. “A Grécia é e sempre será um membro da zona do euro”, disse, em uma conferência em Atenas.

Fundo de resgate – Em paralelo à inspeção na Grécia, ocorre a votação da ampliação do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (EFSF) na Eslováquia. O país é o último membro da zona do euro a votar o acordo fechado entre os líderes do bloco para aumentar o tamanho e os poderes do EFSF.

(com Agência Estado e Reuters)

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