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Grécia e recuo da produção industrial derrubam DIs

Por Márcio Rodrigues

São Paulo – O recrudescimento das tensões na Europa, após o primeiro-ministro grego, George Papandreou, propor um referendo para saber se a população concorda com o plano de socorro acordado na semana passada, foi motivo para devolução de prêmios na curva a termo de juros futuros durante boa parte do dia. No meio da tarde, porém, a informação de um parlamentar de que a convocação do referendo na Grécia estaria “basicamente morta” fez as taxas retomarem, momentaneamente, o patamar de ajuste, mas foi insuficiente para apagar o sinal de baixa. Até mesmo porque a queda de 2% da produção industrial em setembro ante agosto limitou uma reação mais expressiva, além de reacender as discussões sobre a intensidade da queda de juros no próximo encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), assim como sobre um possível prolongamento dos cortes em 2012.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2013, com giro de 452.490 contratos, cedia a 10,27%, de 10,29% no ajuste e 10,19% na mínima, enquanto o DI janeiro de 2014 (139.490 contratos) estava em 10,58%, de 10,60% na véspera e 10,50% na mínima. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (36.665 contratos) indicava 11,14%, nivelado ao ajuste, e o DI janeiro de 2021 (855 contratos) marcava 11,18%, de 11,19% no ajuste.

A breve recuperação das taxas e dos mercados teve início por volta das 15h30, quando saiu a notícia, dada por um parlamentar do partido de Papandreou, sobre o provável sepultamento da ideia do primeiro-ministro. Até então, o ritmo do mercado foi ditado pelo pessimismo e pelas dúvidas sobre qual seria o destino da zona do euro caso os gregos dissessem não ao pacote de ajuda. O ministro de relações exteriores da Finlândia, Alexander Stubb, chegou a dizer que, na prática, o referendo seria para ver se a Grécia continua mesmo na zona do euro.

Independentemente dessas informações, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, já haviam informado que tentariam amanhã, em Cannes, na França, antes da reunião do G-20, “tomar todas as medidas necessárias para a implementação do acordo fechado em Bruxelas em 27 de outubro o mais rapidamente possível”, em um encontro com Papandreou.

Internamente, o mercado de juros local encontrou outras forças para contrabalançar o cenário externo. O setor automotivo provocou um resultado fraco na produção industrial de setembro, que cedeu 2% e ficou abaixo da mediana negativa de 1,30% encontrada pelo AE Projeções. A produção de bens de capital da indústria brasileira desabou 5,5% em setembro ante agosto. Para o economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho, “se o ritmo de desaceleração da economia doméstica e/ou mundial prosseguir em nível superior ao estimado pelo BC”, não se pode descartar a aceleração no ritmo de queda dos juros na próxima reunião.

“Em suma, existe potencial de queda da Selic de 0,75 ou mesmo de 1 ponto porcentual em novembro, mas, por enquanto, na ‘histeria do nervosismo’ do mercado, mantenho o cenário referencial de redução de 0,50 ponto porcentual”, disse em relatório.

Outras informações jogaram a favor da devolução de prêmios. A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) desacelerou a alta na última semana de outubro para 0,26%, ante 0,50% na quadrissemana finalizada em 30 de setembro. Além disso, fontes citaram que a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou hoje um projeto que inclui nas competências do Banco Central “estimular o crescimento e a geração de empregos”.