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Grécia e inflação mais comportada tiram prêmios dos DIs

Por Márcio Rodrigues

São Paulo – A possibilidade de a taxa Selic atingir o patamar de um dígito neste ano, conforme explicitou o Comitê de Política Monetária (Copom) na ata da última reunião, ganha cada vez mais força para se concretizar. Isso porque a falta de acordo entre a Grécia e os credores privados em torno da reestruturação da dívida do país e os rumores de que Portugal também deve precisar renegociar seus débitos causaram sensível devolução de prêmios ao longo de toda a curva a termo. Além disso, o IGP-M de 0,25% em janeiro – ante -0,12% em dezembro e abaixo da mediana das estimativas, de 0,32% – e a nova queda apresentada pelo IPCA diário da Fundação Getúlio Vargas ajudam a ancorar o recuo das taxas futuras, sobretudo das mais curtas.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o DI julho de 2012 indicava 9,72%, de 9,81% no ajuste, com giro de 397.440 contratos. O contrato para janeiro de 2013 (505.865 contratos) cedia para 9,51%, de 9,61% na sexta-feira, enquanto o DI janeiro de 2014 (333.935 contratos) recuava para 9,97%, de 10,10%. Entre os vencimentos mais longos, o DI janeiro de 2017, com movimento de 48.635 contratos, marcava 10,87%, de 10,93% no ajuste, e o DI janeiro de 2021 (11.665 contratos) estava em 11,24%, de 11,27% na sexta-feira.

Diante desses valores, enquanto no Focus a expectativa de Selic em abril passou de 9,75% para 9,63%, mostrando a divisão dos entrevistados quanto à possibilidade de uma redução de 0,25 ponto porcentual ou de 0,50 ponto porcentual no encontro de abril, na curva a termo, o contrato julho de 2012 embutia redução de 0,45 ponto porcentual em abril – ou seja, quase convicto sobre um corte de 0,50 ponto porcentual. Para março, tanto os analistas como as taxas futuras atribuem 100% de chance de a Selic ser cortada em 0,50 ponto porcentual.

E boa parte dessa nova queda de prêmios hoje pode ser atribuída à Grécia. Os líderes do governo do país e os credores encerraram a reunião do fim de semana sem um acordo final, mas disseram que estão perto de um desfecho. Fontes próximas à negociação avaliaram que um acordo pode ser alcançado nesta semana, mas o mercado parece estar cansado de ouvir a mesma coisa há alguns dias. Depende dessa negociação a liberação do segundo plano de ajuda à Grécia, no valor de 130 bilhões de euros.

Por aqui, o comportamento dos preços também se mostra um pouco mais favorável. Além do IGP-M abaixo do previsto, o IPCA diário trouxe notícias boas para a inflação que chega ao consumidor final. O índice cheio, no critério ponta, desacelerou a alta para 0,11% na sexta-feira, de 0,23% um dia antes, segundo uma fonte que teve acesso ao relatório da Fundação Getúlio Vargas. Os alimentos e bebidas voltaram a apontar deflação de 0,19% no dia 27, após alta de 0,02% no dia 26.