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Grécia busca novamente acordo para evitar calote

Por Da Redação 8 fev 2012, 08h15

ATENAS, 8 Fev (Reuters) – Os partidos políticos da Grécia tentarão novamente nesta quarta-feira chegar a uma definição sobre um acordo de reformas em troca de um segundo resgate internacional, no intuito de evitar um calote desastroso após atrasos que levaram alguns líderes da União Europeia (UE) a alertar que a zona do euro poderia viver sem Atenas.

Vários prazos já se esgotaram para um acordo entre os gregos. Líderes dos três partidos da coalizão do primeiro-ministro Lucas Papademos adiaram uma reunião crucial na terça-feira por causa da ausência de documentos, de acordo com uma autoridade.

Papademos -um tecnocrata que caiu de paraquedas em novembro passado para garantir a concessão de um novo resgate de 130 bilhões de euros pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e a UE- está tentando persuadir os líderes dos partidos a aceitar medidas de austeridade e reformas que devem se provar impopulares entre o já irritado eleitorado grego.

O premiê deve se reunir com líderes ainda pela manhã para discutir o esboço de um acordo com o FMI e a UE, disse uma fonte do governo. A maior parte dos pontos foi definida, mas será pedido aos líderes que façam uma escolha sobre as opções acerca de algumas questões fiscais, acrescentou a fonte.

“Não podemos dizer um simples ‘sim’ ou ‘não’ a menos que tenhamos garantias das autoridades relevantes do Estado de que essas ações são constitucionais e tirarão o país da crise”, disse George Karatzaferis, líder da sigla de extrema-direita LAOS.

“Há tempo. Quando se trata do futuro do nosso país, encontraremos tempo”, disse ele a jornalistas na noite de terça-feira.

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Autoridades da zona do euro dizem que o pacote de ajuda completo precisa ser aprovado pela Grécia e pelo bloco monetário, o BCE e o FMI até 15 de fevereiro.

Os prazos estão perdendo importância. No fim de semana passado, o ministro das Finanças grego, Evangelos Venizelos, disse que um acordo precisava ser definido até domingo. Depois, os partidos deixaram passar o prazo de segunda-feira para dar uma resposta à UE, prometendo que terça-feira seria o dia para decisões.

CONSEQUÊNCIAS IMPREVISÍVEIS

A aparente hesitação política é um desafio à autoridade da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, cujo governo é um grande financiador dos resgates gregos. Ela disse na segunda-feira que “tempo é fundamental” e expressou contrariedade diante dos atrasos.

O ressentimento dos gregos está cada vez mais direcionado para a Alemanha. Manifestantes em greve queimaram uma bandeira alemã e outra nazista no centro de Atenas na terça-feira.

Merkel tentou acalmar a atmosfera, dizendo que obrigar a Grécia a abandonar o euro teria “consequências imprevisíveis”.

“Eu não tenho nada a ver com obrigar a Grécia a sair do euro”, disse ela em resposta à pergunta de um estudante durante uma reunião de jovens em um museu de Berlim.

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