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Grécia afeta e juro futuro de curto prazo fecha em queda

Por Márcio Rodrigues

São Paulo – Os temores em relação à situação externa acabaram anulando qualquer possibilidade de acúmulo de prêmios nos vencimentos mais curtos da curva de juros. Enquanto isso, o trecho longo da curva a termo tem leve sinal de alta, em reação à escalada do dólar, que sobe em todo o mundo e passou momentaneamente de R$ 2 no mercado local. Entre as notícias que poderiam sugerir avanço das taxas futuras está a decisão da China de flexibilizar o compulsório bancário para estimular a economia e a piora das projeções de inflação trazida pela pesquisa Focus.

Mas a indefinição política na Grécia – após horas de reunião nesta segunda-feira, o máximo que os líderes dos partidos gregos conseguiram foi agendar um novo encontro para terça – e a possibilidade cada vez maior de o país helênico deixar o euro instigaram a aversão ao risco, que se refletiu no aumento das taxas de juros pagas pelos países periféricos da região e na redução dos juros de países centrais, como Alemanha e Reino Unido. As taxas dos Treasuries norte-americanos também cederam, em sua maioria.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2013 (404.805 contratos) cedia a 7,91%, de 7,95% no ajuste. O DI janeiro de 2014, com giro de 446.700 contratos, caía para 8,38%, de 8,47% na sexta-feira. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (52.950 contratos) marcava 9,77%, de 9,76% no fechamento anterior, enquanto o DI janeiro de 2021 (4.260 contratos) estava em 10,27%, de 10,25% no ajuste.

O pessimismo com a economia internacional levou as bolsas europeias a caírem cerca de 2%, enquanto a Bovespa já está no patamar de 57 mil pontos, com baixa de quase 3% neste início de semana. E o reflexo dessas tensões está claro no mercado de renda fixa. Às 16h43, o juro do T-note de 10 anos recuava para 1,788%, de 1,847% no fim da tarde de sexta-feira em Nova York. O juro está no menor nível desde outubro do ano passado.

Internamente, o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, mostrou que a mediana das projeções de IPCA para 2012 subiu de 5,12% para 5,22%. Para 2013, a projeção é de 5,53%. A piora mais expressiva, contudo, esteve concentrada no grupo dos analistas que mais acertam as projeções, o chamado Top 5. Esse grupo elevou a estimativa de IPCA para 5,22% em 2012, de 5,03% na semana passada. Para 2013, a previsão avançou de 5,4% para 5,8% após três semanas seguidas sem alteração.

Por outro lado, os analistas já acreditam que o juro de um dígito possa continuar em vigor no País até o final de 2013. Eles revisaram a previsão de Selic de 10% para 9,5% no final de 2013, enquanto ajustaram a previsão para o corte da taxa neste ano, de 8,5% para 8%.