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Graça Foster: ‘Petrobras não pode tolerar atrasos’

Presidente da Petrobras afirma que empresa pode recorrer a "medidas mitigatórias" para evitar que fornecedores descumpram prazos

Por Luís Bulcão, do Rio de Janeiro 20 set 2012, 20h02

“O gás de xisto tem colocado preços imbatíveis no mercado americano. Mas ainda há dúvidas, pois o gás precisa ser rico, ter determinada porcentagem de líquido e ser fornecido durante anos, assim como ainda há questões ambientais”, disse Graça, sobre a produção dos Estados Unidos

Com planejamento para dobrar a produção até 2020, o que significa passar dos atuais 2 bilhões de barris de petróleo por dia para 4,2 bilhões, a presidente da Petrobras, Maria das Graças Forter, afirmou que não vai admitir atrasos na cadeia produtiva e ameaçou encerrar contratos com fornecedores que não cumprirem os prazos. “Podemos nos adiantar a uma eventual atraso e entrar com medidas mitigatórias para evitar que eles ocorram”, disse, no encerramento da Rio Oil & Gas, que ocorreu no Riocentro, zona oeste do Rio.

Para cumprir os planos, a empresa precisa receber 38 unidades estacionárias de produção, cinco novas sondas perfuradoras, 49 navios do Promef e treinar aproximadamente 200 mil profissionais. “É como se estivéssemos construindo uma outra companhia”, afirmou.

Em entrevista coletiva, Graça Foster confirmou que a empresa deve entregar ainda neste mês o plano de redução de custos. Evitou, no entanto, falar de valores. “O Procop (Plano de Redução e Otimização de Custos Operacionais) está pronto. Estamos avaliando como nós vamos comunicar o plano para fora da companhia”, disse. A presidente negou que a Petrobras tenha planos de investir em uma companhia aérea, conforme especulado durante a semana. “Não teremos aviões, não teremos helicópteros. Não faz parte dos nossos negócios. Se pudéssemos não teríamos nem cadeiras. A curva de exploração e produção é o que nos interessa”, brincou.

Petrobras poderá fazer nova licitação para sondas

Transocean – Sobre o processo judicial que ameaça paralisar a operação das sondas da Transoecean no Brasil – devido ao acidente no poço da Chevron, na costa do Rio de Janeiro, ocorrido em 2011 – Graças disse que a Petrobras está ao lado da companhia suíça e que a área jurídica da empresa vai atuar para que as oito sondas alugadas da companhia para a estatal brasileira não sejam impedidas de atuar no país. “Não queremos considerar a hipótese de perder essas sondas de um excelente servidor. Seria algo muito ruim”, afirmou. Ela admitiu, no entanto, que a Petrobras tem planos para agir, caso o processo judicial prossiga. Na última segunda-feira, a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) entrou com medida junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para que as acusações contra a Transocean fossem retiradas.

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Estados Unidos – A presidente da Petrobras também comentou advento do gás de xisto nos Estados Unidos. Segundo ela, a inovação no setor está disponibilizando o produto a preços demasiadamente baixos, o que ameaça o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Com esse cenário, as empresas parceiras da Petrobras deixariam de ter interesse no empreendimento. “O gás de xisto tem colocado preços imbatíveis no mercado americano. Mas ainda há dúvidas, pois o gás precisa ser rico, ter determinada porcentagem de líquido e ser fornecido durante anos, assim como ainda há questões ambientais. Se (a condição de preço) persiste, é capaz de atrair a indústria química e petroquímica de forma bastante intensa. Mas faz todo o sentido concluirmos o complexo petroquímico do Rio. Vamos trabalhar firme para manter o Comperj como ele foi concebido”, garantiu.

Sobre o anúncio das novas rodadas de leilões para áreas exploratórias, anunciadas na terça-feira pelo ministro de minas e energia, Edison Lobão, Graça Foster disse que a Petrobras estaria pronta para tentar arrematar os blocos de interesse se a rodada ocorresse na próxima semana. No entanto, ela evitou detalhar quais seriam os alvos. “Nós vamos buscar parceiros e entrar sozinhos em algumas áreas. Não posso antecipar. Faremos um trabalho diversificado de blocos em terra e blocos em mar”, afirmou.

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