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Governo tem superávit primário de R$ 10,8 bilhões em julho

Resultado mensal foi o melhor para julho desde 2022, impulsionado pela queda de despesas e pelo avanço das receitas

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 ago 2026, 17h30 | Atualizado em 27 ago 2026, 17h32
Governo tem superávit primário de R$ 10,8 bilhões em julho Priorizar nos meus resultados Google

As contas do governo federal registraram superávit primário de R$ 10,8 bilhões em julho, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (27) pelo Tesouro Nacional. O resultado representa uma melhora expressiva em relação a julho de 2025, quando houve déficit de R$ 59,1 bilhões, e é o melhor saldo para o mês desde 2022.

O desempenho, porém, não muda o quadro fiscal observado no conjunto do ano.

Entre janeiro e julho, o governo acumulou déficit primário de R$ 81,3 bilhões, acima dos R$ 70,3 bilhões registrados no mesmo período de 2025. Em termos reais, considerando a inflação, o rombo acumulado cresceu 12,4%.

O resultado primário corresponde à diferença entre receitas e despesas do governo antes do pagamento dos juros da dívida pública. Portanto, o superávit de julho não significa redução da dívida: ele indica apenas que, naquele mês, a arrecadação superou os gastos considerados no cálculo.

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A melhora de julho ocorreu por uma combinação de aumento da arrecadação e redução das despesas. As receitas líquidas, já descontadas as transferências constitucionais a estados e municípios, cresceram 7,7% em termos reais e chegaram a R$ 226,3 bilhões.

Ao mesmo tempo, as despesas totais somaram R$ 215,5 bilhões, uma redução real de R$ 56,4 bilhões em relação a julho do ano passado, quando haviam alcançado R$ 271,8 bilhões.

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Parte importante dessa diferença veio do comportamento dos precatórios e das sentenças judiciais, cuja despesa caiu R$ 37,1 bilhões na comparação anual. Os gastos com benefícios previdenciários recuaram R$ 18,1 bilhões, enquanto as despesas com pessoal e encargos sociais diminuíram R$ 4,2 bilhões.

Houve, por outro lado, aumento de R$ 4,2 bilhões nas despesas com créditos extraordinários.

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Resultado do ano ainda preocupa

Apesar do desempenho positivo em julho, os números acumulados mostram que o governo continua enfrentando dificuldade para equilibrar receitas e despesas.

Nos primeiros sete meses de 2026, a receita líquida somou cerca de R$ 1,5 trilhão, enquanto as despesas totais ficaram em patamar semelhante. A diferença entre os dois fluxos resultou no déficit primário de R$ 81,3 bilhões.

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As despesas, em particular, avançaram 10,9% em termos reais no período, ritmo superior ao observado em julho isoladamente. O dado ajuda a explicar por que um mês de forte resultado positivo ainda não foi suficiente para reverter o saldo negativo acumulado.

A trajetória fiscal também é acompanhada de perto porque o resultado primário é um dos principais indicadores usados para avaliar a capacidade do governo de controlar a evolução da dívida pública. Quanto maior o déficit antes dos juros, maior tende a ser a necessidade de financiamento do governo.

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O resultado de julho, portanto, oferece um alívio pontual nas contas públicas, mas ainda não representa uma mudança de trajetória. Para o restante do ano, o desafio será transformar a melhora observada no mês em um resultado fiscal capaz de reduzir o déficit acumulado.

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