Clique e assine a partir de 9,90/mês

Governo quer mudar tática de intervenção no câmbio

Dilma, Tombini e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reuniram-se no início da noite de quarta para amarrar a nova abordagem

Por Da Redação - 22 Aug 2013, 08h33

Depois que a atuação coordenada do Banco Central (BC) e do Tesouro falharam em segurar a cotação do dólar esta semana, como se verificou em mais uma injeção de dólares no mercado na quarta, o governo federal começou a definir uma nova tática para a atuação. A oferta de 1,774 bilhão de dólares não foi suficiente para conter a alta da moeda americana. O esforço foi em vão e o dólar fechou a 2,45 reais.

A persistente e inquietante volatilidade do câmbio vai exigir do governo uma nova postura para definir em até que patamar o real pode se desvalorizar, seu impacto na inflação e a necessidade ou não de o BC operar no mercado à vista, hipótese que não tem a concordância, pelo menos neste momento, da própria autoridade monetária.

Leia também:

Em ata, Fed mantém incerteza sobre fim dos estímulos

Continua após a publicidade

Disparada do dólar evidencia falta de estratégia do BC

O presidente do BC, Alexandre Tombini, cancelou sua viagem anual a Jackson Hole (EUA) e toda a diretoria do BC foi instada a permanecer em Brasília. Dilma, Tombini e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reuniram-se no início da noite de quarta para amarrar a nova abordagem.

O Ministério da Fazenda avalia que, se necessário, o BC pode intervir, como já fez na crise em 2009, sem dar a entender que os 374 bilhões de dólares de reservas desaparecerão em curto espaço de tempo, aprofundando a crise econômica. Essa é uma das avaliações feitas em conjunto com a presidente Dilma.

A ideia foi separar o joio do trigo para identificar os movimentos especulativos e atacá-los de frente. O BC não considera que o mercado de câmbio esteja disfuncional, ou seja, sem referência para os preços. As intervenções do banco e a ação coordenada com o Tesouro estão ocorrendo para dar a liquidez necessária ao mercado. Banco Central e Fazenda consideram que, enquanto persistir a dúvida sobre o “timing” da retirada dos incentivos à economia americana, a tendência do real é a desvalorização.

Continua após a publicidade

Leia ainda:

Depois de bater R$ 2,45, dólar abre em queda

O fato é que, apesar dos esforços do BC, os profissionais do mercado veem mais possibilidades de o dólar romper os 2,50 reais do que de a moeda voltar para os 2,30 reais. “O mercado, na dúvida, acaba correndo para o dólar. E com todo o cenário que a gente está vendo, no Brasil e no exterior, parece que o dólar vai buscar os 2,50 reais”, diz um profissional da mesa de câmbio de um banco.

(com Estadão Conteúdo)

Publicidade