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Governo grego ganha voto de confiança do Legislativo

Parlamento abre caminho para que o primeiro-ministro George Papandreou tente aprovar reformas para evitar um calote da dívida

Por Da Redação - 21 jun 2011, 21h16

Já era madrugada de quarta-feira, no horário local, quando o Parlamento grego deu um voto de confiança ao governo, modificado recentemente pelo primeiro-ministro, George Papandreou. O placar ficou em 155 votos a favor, ante 143 contra e duas abstenções. Todos os deputados do Partido Socialista de Papandreou votaram junto com o governo. “Se ficarmos com medo, se jogarmos fora essa oportunidade, então a história vai nos julgar muito duramente”, disse Papandreou num apelo final antes da votação.

A conquista é um passo necessário para que o poder executivo dê continuidade às negociações para evitar um calote de sua dívida soberana. Com a decisão, Papandreou ganha tempo para tentar obter apoio à implementação de medidas impopulares de austeridade fiscal que evitem a moratória da dívida do país, como, por exemplo, cortes nos gastos sociais, aumentos de impostos e privatizações.

A votação, que foi monitorada pelos mercados, levou o euro a subir, embora operadores tenham dito que contínuas preocupações com a implementação das medidas contiveram o avanço da moeda.

Protestos – Manifestantes posicionaram-se em frente ao Parlamento, na praça Syntagma, com ‘slogans’ contra as autoridades, apontando centenas de lasers de luz verde contra o prédio e os olhos de policiais, além de jogarem as mãos para a frente – tradicional forma de insulto no país.

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Testes – O governo de Papandreou precisa rapidamente passar por mais dois testes: aprovar o plano de austeridade – os parlamentarem têm de aprovar em uma semana cortes orçamentários de 28 bilhões de euros, reformas fiscais e privatizações – e também aprovar as leis necessárias para sua implementação, a fim de obter um novo pacote de resgate para evitar que o Estado grego torne-se o primeiro da zona do euro a declarar default e cause um desastre econômico global.

A votação ocorreu após um ultimato dado pelas autoridades europeias à Grécia para que o país implemente novas e impopulares reformas nos próximos cinco anos. O prazo para que o governo grego aprovasse as medidas foi de duas semanas, caso contrário o país não receberia uma parcela de 12 bilhões de euros e decretaria falência.

O presidente da Comissão Europeia, Manuel Barroso, ampliou a pressão a Atenas antes da votação, dizendo que o país enfrenta um “momento da verdade” e precisa mostrar que está verdadeiramente comprometido com as reformas. “Ninguém pode ser ajudado contra sua vontade”, afirmou Barroso em Bruxelas, acrescentando que o apoio da oposição — que rejeitara o pacote e pedira novas eleições — é importante.

O diretor-gerente interino do Fundo Monetário Internacional (FMI), John Lipsky, mandou um recado parecido, afirmando que os credores internacionais estão querendo ajudar as economias da periferia da zona do euro, contanto que elas adotem reformas. Segundo Lipsky, o sistema fiscal grego está quebrado, mas pode ser reparado com boa vontade política.

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(com Reuters)

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