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Governo grego consegue aprovação de plano de austeridade no Parlamento

Primeiro-ministro Alexis Tsipras enfrentou revolta de alguns aliados, mas ganhou sinal verde para assinar acordo com o Eurogrupo

Por Da Redação 10 jul 2015, 22h22

O Parlamento da Grécia aprovou na madrugada deste sábado (noite de sexta-feira no Brasil) a autorização para o governo do primeiro-ministro Alexis Tsipras negociar com os credores internacionais da dívida grega com base no programa de reformas e cortes de 13 bilhões de euros em gastos públicos apresentado nesta semana. Com isso, o premiê ganha sinal verde para assinar o esperado acordo com o Eurogrupo e assim manter a Grécia na zona do euro.

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Mesmo conseguindo aval para adotar as medidas de austeridade exigidas pelos líderes europeus, Tsipras enfrentou uma espécie de rebelião entre seus próprios aliados. Alguns membros da esquerda mais radical do partido governista Syriza, incluindo o presidente do Parlamento, Zoe Constantopoulou, e o ministro da Energia, Panagiotis Lafazanis, se abstiveram na votação, em um sinal de oposição à combinação de aumento de impostos, reforma no sistema de aposentadorias e cortes de gastos do governo.

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A oposição, favorável às medidas por considerá-las essenciais para manter a Grécia na zona do euro, votou a favor do acordo e afastou qualquer risco de o pacote não ser aprovado pela maioria dos parlamentares. Foram 251 votos a favor, 32 contra e 8 abstenções – outros nove deputados não compareceram ao Parlamento em Atenas.

Antes da votação e perante o anúncio de que alguns dos deputados do Syriza não iriam dar seu respaldo, o primeiro-ministro Tsipras fez um discurso curto para pedir unidade. Ele afirmou que o procedimento era necessário para que o ministro das Finanças, Euclides Tsakalotos, tivesse o máximo apoio a fim de obter o melhor resultado possível. “O voto a favor dos deputados do governo é o mínimo de confiança que se pode mostrar para o governo e o primeiro-ministro”, afirmou.

O premiê assinalou que o governo fez muitas concessões na proposta enviada aos credores a respeito de seu programa inicial, em troca de manter o país no euro e conseguir financiamento, um pacote de investimentos e a reestruturação da dívida. “Não quero esconder a verdade. O acordo que será debatido no Eurogrupo (fórum informal que reúne os ministros de Economia e Finanças da zona do euro) está longe de nosso programa”, disse Tsipras.

“Devemos admitir, por outro lado, que o que (os credores) nos pedem é difícil. É melhor do que o ultimato, mas é difícil”, destacou o primeiro-ministro, que acrescentou que agora o país tem “pela primeira vez, a possibilidade de fazer desaparecer a discussão sobre a saída da Grécia do euro”.

Os ministros de Finanças dos dezenove países da zona do euro vão se reunir neste sábado e devem recomendar a abertura de negociações sobre um terceiro programa de resgate. Uma autoridade sênior da UE disse que a reunião vai incluir discussões sobre se a Grécia precisa de alívio da dívida. O país pediu 53,5 bilhões de euros para a ajudar a cobrir suas dívidas até 2018, uma revisão das metas de superávit primário à luz da forte deterioração de sua economia e uma “reavaliação” da dívida a longo prazo.

A crise grega em números 495px
A crise grega em números 495px VEJA

(Com agências EFE e Reuters)

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