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Governo fica com R$ 74 bi em ações da Petrobras

Nos próximos dias, governo vai definir como será o desenho de sua participação na estatal

Por Da Redação - 24 set 2010, 08h48

O Tesouro vai dar as cartas: quanto caberá à Caixa, ao BNDES e ao Fundo Soberano ao fim do processo

Mesmo depois da fixação do preço das ações da Petrobras, que servirá de base para a capitalização, uma questão permanece indefinida: como o governo dividirá a participação de seus agentes. Tesouro Nacional, Fundo Soberano do Brasil (FSB), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Caixa Econômica Federal terão participações distintas, seguindo os critérios do Ministério da Fazenda. De certo está o aporte do governo, de 74 bilhões de reais.

Nos próximos dias, paralelamente ao início da negociação das novas ações da Petrobras na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e à liquidação das ações – como é chamada a quitação dos papéis pelas corretoras – a equipe técnica do governo estará debruçada nos cálculos que formarão o novo desenho da participação estatal na Petrobras. A entrada do Fundo Soberano e da Caixa faz parte da estratégia de aumentar a parcela estatal, mas pulverizando em diferentes veículos. O BNDES já detinha participação considerável no capital da companhia (7,7%), principalmente em ações sem direito a voto (preferenciais: PNs).

Para não ver essa parcela ser diluída na operação de capitalização, o banco já estava se preparando, de acordo com fontes ligadas à operação, para desembolsar cerca de 7 bilhões de reais de seu caixa para seguir a oferta. Agora, detém participação ainda mais substancial (9,2%), graças ao aporte de ações do Tesouro, no mês passado, que promoveu uma “capitalização dentro da capitalização”. Injetou 2,5 bilhões de reais na Caixa e 4,5 bilhões de reais no BNDES em ações da Petrobras.

O mesmo Tesouro vai dar as cartas: quanto caberá à Caixa, ao BNDES e ao Fundo Soberano ao fim do processo. Pura estratégia de governo, para movimentar recursos nas próprias estatais, misturar recursos em dinheiro aos títulos do governo que serão usados na capitalização e decompor sua participação na estatal que, pela aspiração do governo, pode passar de 50% do capital total.

Mega oferta – Com a capitalização finalizada nesta quinta-feira, a Petrobras arrecadou 120,36 bilhões de reais, a maior oferta de ações já realizada no mundo, garantindo recursos para a exploração do pré-sal e assumindo um lugar central no mercado financeiro global.

Foram vendidos um total de 4,27 bilhões de novas ações, das quais 2,4 bilhões ordinárias, que dão direito a voto, e 1,87 bilhão de preferenciais. A empresa precificou as novas ações ordinárias em 29,65 reais cada, enquanto as preferenciais saíram a 26,30 reais, segundo informações disponíveis no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no final da noite de quinta-feira.

O sucesso da capitalização da Petrobras – negócio que se arrastou por meses e que pesou sobre o valor das ações da empresa no mercado neste ano – inaugura um período considerado positivo por analistas para a companhia a partir de agora, já que ela poderá focar sua atenção no desenvolvimento das enormes jazidas na bacia de Santos.

(Com Agência Estado)

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