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Governo estima inflação próxima de 8% e espaço no Orçamento deve ser menor

Economia vê crescimento de 5,3% neste ano e 2,5% em 2022; pressão inflacionária deve seguir em 2022, em 3,75%, acima do centro da meta de 3,5%

Por Larissa Quintino Atualizado em 16 set 2021, 19h18 - Publicado em 16 set 2021, 10h10

A escalada de preços fez com que o Ministério da Economia revisasse, bem para cima, a projeção para a inflação neste ano. De acordo com o Boletim Macrofiscal, divulgado nesta quinta-feira, 16, o IPCA deve fechar o ano em 7,9%. A previsão é superior aos 5,9% do relatório de julho e alinhada a perspectiva de mercado, que fala em 8%. Para 2022, a pasta estima inflação em 3,75%, acima do centro da meta de 3,5%. A aceleração da inflação, além de pressionar o orçamento das famílias, também é um grande problema para o presidente Jair Bolsonaro em relação ao orçamento e seus planos.

Com a alta da inflação, o espaço no Orçamento de 2022 deve diminuir. O INPC, índice utilizado para reajustar o salário mínimo e que indexa diversos gastos do governo, deve chegar a 8,4% segundo a nova projeção do Ministério. No Projeto de Lei Orçamentária, enviada no fim de agosto pelo governo, a estimativa do INPC era de 6,2%, na ocasião, já considerada defasada por integrantes da equipe econômica.  

Bolsonaro contava com um espaço maior no Orçamento de 2022 para conseguir turbinar o Bolsa Família. Rebatizado de Auxílio Brasil, o programa prevê aumentar a média de transferência de renda e o número de famílias beneficiadas, mas para isso precisaria de mais dinheiro, cerca de 20 bilhões de reais adicionais. Porém, a pressão inflacionária, que era vista como temporária, e a conta de 89,1 bilhões de reais nos precatórios, dificulta os planos e, assim, a pressão do ministro Paulo Guedes junto ao Congresso e ao Judiciário, para encontrar uma solução de modular os gastos com as dívidas, deve aumentar. Segundo a área econômica, a cada 0,1 ponto percentual adicional de INPC, o governo estima que seus gastos seriam ampliados em 790 milhões de reais no ano. Assim, o aumento da inflação deve custar 17 bilhões de reais a mais no próximo ano, próximo do valor necessário para o Auxílio Brasil.

PIB

Menos otimista que na divulgação anterior, quando havia revisado o PIB para cima, usando como base os resultados do primeiro trimestre, desta vez, a área econômica manteve a perspectiva de crescimento em 5,3% em 2021. “Além de observar os números do crescimento, é importante atentar-se para a sua qualidade. Com reformas pró-mercado e consolidação fiscal, o governo está lançando as bases para crescimento econômico de melhor qualidade e sustentável no longo prazo”, afirma o relatório divulgado pela Secretaria de Política Econômica (SPE).

Assim como a nota técnica após a divulgação do PIB, a secretaria salienta o crescimento na relação com o choque do ano passado e foca na recuperação do setor de serviços, que foi o mais afetado pela quebra da demanda em 2020 pela crise sanitária. Para o terceiro trimestre, a SPE projeta avanço de 0,6% no PIB. Algumas entidades, tem previsões mais pessimistas. Estudo da FGV-Ibre, por exemplo, já calcula recuo de 0,1% no trimestre. Para 2022, a previsão do Ministério da Economia é que o PIB avance 2,50%, ligeiramente abaixo dos 2,51% projetados em julho.  Segundo o secretário Adolfo Sachsida, da SPE, o crescimento de 2022 traz muito do carregamento estatístico dada a recuperação deste ano e da queda brusca do ano passado. “Se crescermos entre 0,4% e 0,5% por trimestre o ano que vem, o avanço será de 2,5% graças ao carrego estatístico”, explica.

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