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Governo argentino acusa YPF de não ter feito investimentos suficientes

Buenos Aires, 4 fev (EFE).- A Argentina acusou neste sábado a companhia petrolífera YPF, controlada pela espanhola Repsol, de não ter feito investimentos suficientes em prospecção e produção de combustíveis e advertiu a ela e às outras empresas que fará cumprir a legislação para alcançar a ‘plena produção nas jazidas’.

O ministro do Planejamento da Argentina, Julio de Vido, disse em comunicado que ‘apesar de a YPF ter 60% do mercado de combustíveis, não fez os investimentos para ampliar suas refinarias no tempo que requer o crescimento sustentado da demanda no país’.

Após uma semana de rumores sobre uma possível nacionalização da YPF nunca confirmados nem desmentidos pelo Governo, De Vido afirmou que muitas empresas somaram reservas, ‘mas infelizmente a queda geral não pôde ser revertida porque a principal petrolífera de nosso país, a YPF, não realizou investimentos em prospecção’.

O ministro disse que a companhia petrolífera também não iniciou as jazidas de ‘shale oil’ (petróleo não convencional) que descobriu e ‘nem sequer apresentou esquema crível e sustentável para avaliar seu valor’.

De Vido disse que ‘estas jazidas de petróleo não convencional foram descobertas a partir dos benefícios’ de um programa de incentivos às petrolíferas que o Governo resolveu acabar nesta sexta-feira para certas empresas – incluindo a YPF -, ‘mas até agora esses benefícios só serviram para ativar balanços, porque a YPF não os pôs ainda em produção’.

Segundo o ministro, na área do gás, esses incentivos permitiram somar dez milhões de metros cúbicos por dia, ‘mas esse volume não foi suficiente para resistir a queda da YPF, que no último ano caiu quase 9%, arrastando a média de todo o país e nos obrigando a importar combustíveis para substituir o gás local, requerendo maiores subsídios do Estado nacional’.

O cancelamento de incentivos, no valor de dois bilhões de pesos anuais (US$ 459,7 milhões), afeta, além da YPF, a Panamerican Energy, de capitais argentinos e chineses; a Petrobras; a americana Esso e a chinesa Sinopec, entre outras. EFE