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Governo anuncia nesta sexta acordo comercial automotivo com a Argentina

Termos devem prever um aumento imediato da cota exportada pelo Brasil sem tarifa e o livre comércio entre as duas nações a partir de 2029

Os governos brasileiro e argentino vão anunciar nesta sexta-feira, 6, um acordo comercial para o setor automotivo. Os termos devem prever um aumento imediato da cota exportada pelo Brasil sem tarifa. Essa cota deve subir gradualmente até que os dois países alcancem o livre comércio, em 2029. A divulgação está marcada para as 15h30, na sede da pasta da Economia no Rio de Janeiro.

O evento consta na agenda do ministro da Economia, Paulo Guedes, e também contará com a presença do ministro de Produção e Trabalho da Argentina, Dante Sica.

O prazo de dez anos foi definido para que o livre comércio entre os dois parceiros já esteja em vigor alguns anos antes do fim das taxas para importação de veículos da Europa pelo Mercosul. Pelo acordo com a União Europeia (UE), o bloco sul-americano vai reduzir o imposto cobrado para importação de veículos gradualmente, até zerar totalmente em um prazo de 15 anos.

Atualmente, Brasil e Argentina têm um acordo para o setor que permite que, para cada 1 dólar que o Brasil importa da Argentina, 1,5 dólar seja exportado sem tributação. O entendimento atual venceria em junho de 2020, mas o governo quer fechar um novo antes das eleições argentinas, que poderão eleger a chapa de oposição ao atual governo do país vizinho, que tem a ex-presidente do país Cristina Kirchner como candidata a vice.

Além disso, a avaliação é que é preciso dar uma previsibilidade para a indústria dos dois países, por isso a antecedência.

O Brasil fez questão de que o entendimento tivesse um efeito imediato. De acordo com fontes, deve aumentar “um pouco” o valor permitido para a exportação sem taxas a cada 1 dólar importado. Esse valor subirá novamente em 2019, por um período de três anos, e depois a cada três anos até o fim das taxas em 2029. 

 

Os novos termos para o comércio no setor automotivo vêm sendo negociados “desde o primeiro dia do governo Jair Bolsonaro”, disse uma fonte. O fechamento do acordo com a União Europeia acabou sendo um “estímulo externo” para que os dois países entrassem em acordo sobre o tema.

A indústria automotiva brasileira é muito dependente do mercado argentino e a economia do país vai mal – o vizinho está enfrentando recessão e uma inflação acumulada de mais de 50% em 12 meses. O cenário gera queda nas exportações do país no setor.

A indústria automotiva vendeu para a Argentina apenas 161,0 mil unidades de automóveis e comerciais leves no acumulado de janeiro a agosto deste ano, queda de 53% na comparação com o mesmo período de 2018, quando foram vendidas 344,1 mil unidades, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

(Com Estadão Conteúdo)