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Governo adota medida para frear a alta do dólar

Fazenda reduz para um ano prazo de captação de recursos sujeitos a IOF. Ação tem por objetivo estimular entrada da moeda no país. Dólar abriu o dia em queda

Por Da Redação - 5 dez 2012, 10h20

A alta do dólar nos últimos dias fez com que o governo começasse a retirar travas para a entrada da moeda americana no país. O Ministério da Fazenda voltou atrás, nesta quarta-feira, no prazo para a cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre empréstimos externos. Com isso, apenas as operações feitas com vencimento inferior a 360 dias serão tributada em 6% de IOF. A medida foi adotada em 2011 para conter a valorização excessiva do real, que vinha preocupando o governo. Mas, a partir de agora, as operações que tiverem prazo superior a um ano deixarão de ser tributadas.

A taxação de IOF em operações externas foi anunciada em abril do ano passado para operações de até 360 dias. Quase uma semana depois o governo ampliou para 720 dias e em março deste ano chegou a três anos. Em junho, voltou para 720 dias e a partir desta quarta-feira passam a ser taxadas as operações com menos de 360 dias.

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A medida foi tomada pelo governo, em 2011, para desestimular a tomada de crédito no exterior a prazos mais curtos e evitar que as empresas fizessem arbitragem de juros. Com o câmbio mais alto e a Selic mais baixa, a medida começa a ser retirada. As operações contratadas acima desse prazo, mas que forem liquidadas antecipadamente, também estão sujeitas ao pagamento de 6% do imposto. Além dessa medida para facilitar a entrada de dólar no país, o Banco Central, na terça-feira, ampliou para cinco anos o prazo para pagamento antecipado das exportações.

Cotação – Após o anúncio, a reação dos agentes financeiros foi imediata. O mercado de câmbio doméstico abriu o pregão desta quarta-feira com queda do dólar em relação ao real. No mercado futuro, o contrato de dólar para janeiro de 2013 abriu a 2,1135 reais, com queda de 0,70%. Até 9h35, esse vencimento que é o mais líquido oscilou de 2,1110 reais (-0,82%) a 2,1165 reais (-0,56%). Posteriormente, no mercado à vista, o dólar no balcão abriu também com sinal negativo, a 2,1050 reais (-0,57%). Até 9h35, a mínima foi de 2,1030 reais (-0,66%) e a máxima, de 2,1080 reais (-0,43%).

Repercussão – “É mais uma medida e seu impacto efetivo sobre o fluxo cambial não é direto, mas tem potencial para aliviar a pressão tomadora por dólar. Isso mostra que o governo está revendo as medidas adotadas no primeiro semestre, quando havia farto fluxo de entrada de recursos no país”, avaliou um experiente operador de tesouraria de um banco. Para este profissional, o dólar acima de 2,100 reais, aparentemente, não estaria nos planos do BC.

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Na terça-feira, o Banco Central anunciou a ampliação para cinco anos do prazo para pagamento antecipado das exportações. Além disso, na segunda-feira, a autoridade monetária fez quatro leilões – dois de swap cambial (equivalente à venda de dólares no mercado futuro) e dois de venda de dólar à vista com recompra em 30 e 60 dias – gerando uma oferta potencial de cerca de 8,5 bilhões de dólares, considerando ainda um vencimento remanescente de swap reverso para dezembro que não foi liquidado no dia 1º.

Embora o dólar tenha fechado em baixa na segunda-feira e na terça-feira, sua cotação se manteve acima do patamar de 2,110 reais. Na terça-feira, o dólar à vista no balcão fechou cotado a 2,1170 reais, com queda de 0,09%. No mercado futuro, o contrato para janeiro de 2013, o mais líquido, encerrou em 2,1285 reais (-0,16%).

“Esse conjunto de medidas pode influenciar um movimento contrário, de venda de dólares. Essa é a expectativa”, disse a mesma fonte citada acima. Para ele, é pequena a chance de o BC retirar também as restrições para operações com derivativos cambiais, que limitam a possibilidade de arbitragens e de especulação no mercado futuro.

No começo da tarde, às 12h30, o BC informará os dados sobre o fluxo cambial e a posição de câmbio dos bancos no fim de novembro. Os números vão mostrar se houve ou não piora do fluxo cambial na última semana do mês. O mercado sabe que nos dois últimos meses do ano aumenta a demanda por dólar, para hedge e remessas de lucros e dividendos corporativos ao exterior, e avalia que a pressão compradora de moeda poderá se manter aquecida neste fim de ano, podendo levar o fluxo cambial para o lado negativo.

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(com Estadão Conteúdo)

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