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Google restringe acesso da Meta ao Gemini por falta de capacidade computacional

Nem mesmo as maiores empresas de tecnologia estão conseguindo atender à explosão da demanda por inteligência artificial.

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 29 jun 2026, 13h50
Google restringe acesso da Meta ao Gemini por falta de capacidade computacional Priorizar nos meus resultados Google

O Google limitou o acesso da Meta aos modelos Gemini após a empresa solicitar mais capacidade computacional do que a companhia conseguia fornecer.

A restrição, revelada pelo Financial Times, atrasou projetos internos da dona do Facebook e do Instagram e evidencia um novo gargalo da indústria. Trata-se da infraestrutura necessária para operar modelos avançados de IA tornou-se um recurso escasso.

Embora o setor invista centenas de bilhões de dólares em chips, data centers e geração de energia, a velocidade de expansão da demanda supera a capacidade disponível.

Corrida por capacidade computacional

A limitação imposta à Meta mostra que o desafio da inteligência artificial já não está apenas no desenvolvimento de modelos mais sofisticados, mas na disponibilidade de infraestrutura para executá-los.

Empresas disputam acesso a processadores de alto desempenho, servidores especializados e energia elétrica para atender ao crescimento acelerado do uso de chatbots, assistentes virtuais, agentes de IA e ferramentas de programação.

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Executivos do setor vêm alertando que a chamada fase de “inferência”, quando modelos já treinados respondem às solicitações dos usuários — passou a consumir volumes muito maiores de processamento do que o previsto inicialmente.

Google admite restrições

A própria Alphabet reconheceu que enfrenta limitações para atender toda a demanda.

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Na divulgação dos resultados do primeiro trimestre, o diretor-executivo Sundar Pichai afirmou que a divisão de computação em nuvem poderia ter registrado receitas maiores caso houvesse mais capacidade disponível.

Segundo a empresa, a receita do Google Cloud superou US$ 20 bilhões no trimestre, enquanto a carteira de contratos já assinados, mas ainda não atendidos, ultrapassou US$ 460 bilhões.

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Para ampliar sua infraestrutura, o Google fechou neste mês um contrato estimado em US$ 920 milhões por mês para alugar capacidade computacional da SpaceX.

Dependência entre concorrentes

O episódio também revela como as gigantes da tecnologia passaram a depender umas das outras na corrida pela inteligência artificial.

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Apesar de desenvolver a família de modelos Llama, a Meta utiliza internamente o Gemini para automatizar parte de seus sistemas de moderação de conteúdo, atendimento ao cliente, publicidade e desenvolvimento de software.

Segundo fontes ouvidas pelo Financial Times, a empresa recorreu ao modelo do Google porque ele apresentava desempenho superior ao de suas próprias soluções em algumas aplicações.

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Nos últimos meses, porém, a Meta começou a substituir parte desse uso pelo modelo Muse Spark, desenvolvido internamente, numa tentativa de reduzir sua dependência de fornecedores externos.

Bilhões em investimentos não eliminam gargalo

A disputa por infraestrutura levou as grandes empresas a anunciar investimentos sem precedentes.

A Meta pretende aplicar cerca de US$ 600 bilhões em infraestrutura nos Estados Unidos até 2028 para ampliar sua rede de data centers voltados ao treinamento e à operação de modelos de inteligência artificial.

Outras empresas seguem caminho semelhante. Google, Microsoft, Amazon e OpenAI ampliam continuamente sua capacidade de processamento, enquanto empresas como Anthropic também passaram a contratar infraestrutura adicional de terceiros.

Mesmo assim, especialistas afirmam que a oferta de capacidade computacional continua insuficiente diante da velocidade de adoção da IA por empresas e consumidores.

Chips e energia tornam-se ativos estratégicos

A escassez de capacidade reforça uma mudança na dinâmica do setor.

Se, até poucos anos atrás, a vantagem competitiva estava principalmente na qualidade dos algoritmos, agora ela depende também da capacidade de garantir acesso a chips avançados, data centers e energia elétrica.

Analistas avaliam que a infraestrutura tende a se consolidar como um dos principais fatores de competição na indústria da inteligência artificial, transformando poder computacional em um ativo tão estratégico quanto os próprios modelos desenvolvidos pelas empresas.

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