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Gol segue no vermelho, mas prejuízo cai 95% no 4º tri

Pelo oitavo trimestre consecutivo a companhia aérea teve prejuízo, desta vez de R$ 19,3 milhões. No acumulado do ano, as perdas chegam a R$ 724,6 milhões

Por Da Redação 26 mar 2014, 09h46

A companhia aérea Gol amargou, entre outubro e dezembro de 2013, o oitavo trimestre consecutivo de prejuízo. A empresa, contudo, conseguiu reduzir em 95,7% suas perdas no período, para 19,3 milhões de reais, em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, quando registrou prejuízo de 447 milhões de reais. Assim, no acumulado do ano, as perdas somaram 724,6 milhões de reais, montante 52,1% inferior ao 1,51 bilhão de reais registrado em 2012. O resultado indica uma continuidade da recuperação da Gol, que já no terceiro trimestre de 2013 havia registrado uma diminuição do prejuízo em cerca de 35%.

Outra boa notícia veio da receita líquida: no quarto trimestre o indicador somou 2,728 bilhões de reais, alta de 28,7% na comparação anual, influenciada pelo crescimento do yield (indicador de preços de passagens aéreas) e pelo aumento na taxa de ocupação. No acumulado do ano, a receita alcançou 8,956 bilhões de reais, alta de 10,5%. Segundo a companhia informou nesta quarta-feira, o yield (valor médio pago pelo passageiro para voar um quilômetro) cresceu 19% no quarto trimestre sobre um ano antes, enquanto a receita por passageiro teve alta de 27%.

Com isso, o lucro antes de juros, impostos, depreciação, amortização e leasing de aeronaves (Ebitdar) somou 551,9 milhões de reais entre outubro e dezembro. No mesmo período de 2012, o indicador havia registrado resultado negativo em 43,7 milhões de reais, mais um sinal de melhora nos números da companhia. A margem Ebitdar ficou em 20,2%, frente os 2,1% negativos registrados um ano antes. No consolidado de 2013, o Ebitdar somou 1,526 bilhão de reais, quase seis vezes maior que os 258 milhões de reais reportados em 2012 e o “maior nível histórico da companhia”, disse em comunicado. A margem Ebitdar consolidada em 2013 alcançou os 17%, acima dos 3,2% de um ano antes.

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Os resultados recentes da empresa vêm sendo impulsionados pelo aumento de preços de passagens e redução de custos, depois que a empresa cortou voos e reduziu funcionários em 2013. Embora a Gol tenha registrado recuo de 3,5% nos custos e despesas operacionais em 2013, no trimestre houve alta de 3,6%, comparando com o quarto trimestre de 2012.

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Em mensagem da administração sobre resultados, o presidente da companhia, Paulo Sérgio Kakinoff, destacou que a Gol registrou a margem operacional de 3% (teto de sua meta), “em um cenário macroeconômico bastante adverso”. “O compromisso de entregar uma margem operacional positiva foi atingido baseado na estratégia de flexibilidade e no gerenciamento da capacidade”, destacou. Ele lembrou que a aérea reduziu em 7,4% sua oferta no mercado doméstico em um ambiente marcado pelo baixo crescimento da economia, com a desvalorização do real em 11% frente ao dólar norte-americano médio do ano e o preço do combustível de aviação 6% superior à média de 2012.

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Projeções – Para 2014, a companhia estima uma redução de 1% a 3% em sua oferta no mercado doméstico, apesar da realização da Copa do Mundo de futebol no Brasil, e um crescimento de até 8% no mercado internacional. “A projeção reitera a consolidação da estratégia, visando a expansão da margem pelo crescimento da receita”, diz Kakinoff, o que, segundo ele, deverá ocorrer pelo gerenciamento do yield e flexibilização da oferta em conjunto com o aumento na taxa de ocupação, conforme já observado nos últimos meses. A estimativa inclui um resultado operacional positivo para o ano de 2014, com margem operacional entre 3% e 6%, patamar já observado no quarto trimestre.

“O cenário macroeconômico para o ano de 2014 se demonstra ainda mais desafiador com o preço do combustível superior a 2013 e a desvalorização do real frente ao dólar, mantendo a pressão dos custos”, afirmou a Gol no balanço. A posição da caixa da empresa terminou 2013 em nível recorde de 3 bilhões de reais, ou 34% da receita líquida do ano passado. Enquanto isso, a dívida líquida caiu quase 30%, para 2,54 bilhões de reais.

Market share – A Gol é a segunda maior companhia aérea brasileira em participação de mercado. Em janeiro, a companhia aumentou em 17% as vendas de passagens para voos nacionais e encostou na líder TAM, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A empresa atingiu uma fatia de 37,25% do mercado doméstico, menos de 1 ponto porcentual do que detém a TAM (38,13% do tráfego aéreo nacional). Há um ano, a diferença entre as duas empresas era acima de 8 pontos porcentuais.

(com Estadão Conteúdo e agência Reuters)

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