Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia

GM deve suspender contrato de 1.000 funcionários em São José dos Campos

Para ajustar produção à venda menor, montadora pretende interromper os contratos

Por Da Redação 25 jul 2014, 09h34

A General Motors (GM) quer suspender temporariamente o contrato de trabalho de parte dos 5.300 funcionários da fábrica de São José dos Campos (SP) para ajustar a produção à menor demanda por veículos. A decisão veio logo após o retorno das férias coletivas concedidas aos trabalhadores por 16 dias, na quarta-feira. Um dia depois, na quinta, a montadora comunicou ao Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos que pretende usar o lay-off (suspensão temporária de contratos de trabalho) na fábrica local.

A empresa não detalhou quantos funcionários estariam envolvidos na suspensão do contrato, mas o presidente do sindicato, Antonio Ferreira de Barros, disse que seriam cerca de 1.000 trabalhadores. “Não há justificativa para a implantação do lay-off”, disse o presidente do sindicato. Na fábrica de São José dos Campos são produzidos motores, conjuntos de transmissão e os veículos Blazer e S10, muito procurados pelo agronegócio e que não teriam registrado queda nas vendas, disse Barros. Para o sindicalista, a montadora quer esfriar as negociações da campanha salarial dos metalúrgicos, que reivindicam reajuste de 12,98%.

O presidente do sindicato argumenta que não há planos de lay-off para as fábricas da GM de Gravataí (RS) e de São Caetano do Sul (SP), que tiveram queda nas vendas. Nessas duas unidades houve férias coletivas. Em São Caetano, entre os dias 7 e 24 deste mês e em Gravataí, entre 7 e 22 de julho. A assessoria da GM informou que os planos de lay-off são apenas para São José dos Campos.

Leia também:

Lucro da GM cai 80% por custos de recall e indenização de vítimas

GM anuncia recall de mais de 4 mil Chevrolet Camaro

Continua após a publicidade

MP amplia benefício fiscal para fabricantes de automóveis

Reação – Em resposta à decisão da GM, o sindicato dos trabalhadores protocolou ofício junto à empresa pedindo estabilidade no emprego e a redução da jornada para 36 horas semanais sem corte de salário. No documento, o sindicato reivindica o cumprimento dos acordos coletivos que preveem investimentos de 3 bilhões de reais na fábrica de São José dos Campos. De acordo com Barros, a implantação da medida depende da concordância do sindicato dos trabalhadores.

No início deste mês, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), presidida por Luiz Moan, diretor da GM, renovou o acordo de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos, tendo como contrapartida a manutenção do emprego na indústria.

A decisão da GM de usar o lay-off para reduzir a produção já foi adotada por outras montadoras. No início do mês, a Mercedes-Benz suspendeu temporariamente o contrato de trabalho de 1,2 mil funcionários da fábrica de São Bernardo do Campo (SP). Também estão em lay-off 790 funcionários da Volkswagen do ABC paulista e 200 da MAN/Volkswagen em Resende (RJ).

Descompasso – O ajuste na produção é necessário para reverter o descompasso entre o ritmo de fabricação e a queda nas vendas, que ampliou o volume de estoques. As montadoras encerraram o primeiro semestre com queda 7,6% nas vendas em relação ao mesmo período de 2013. Foi o pior desempenho desde 2010. De janeiro a junho foi licenciado 1,662 milhão de veículos.

(Com Estadão Conteúdo)

Continua após a publicidade
Publicidade