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Galípolo alerta para avanço do endividamento e diz que BC prepara medidas para o crédito

Na avaliação do presidente do BC, o aumento do endividamento não é necessariamente um problema

Bruno AndradePor Bruno Andrade Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 ago 2026, 15h38 | Atualizado em 24 ago 2026, 15h47
Galípolo alerta para avanço do endividamento e diz que BC prepara medidas para o crédito Priorizar nos meus resultados Google

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira, 24, que o avanço do crédito e o aumento do endividamento das famílias são movimentos que caminham juntos. Segundo ele, a expansão da oferta de empréstimos precisa ser acompanhada de atenção aos riscos assumidos por consumidores e instituições financeiras.

“Não dá para ficar contente com uma notícia de que o crédito cresceu e depois reclamar que o endividamento cresceu. O crédito que um banco ou uma instituição financeira dá é a dívida que alguém tomou. E aí, acreditem, a maior razão do endividamento é a dívida”, afirmou Galípolo durante a abertura do Febraban Tech 2026, em São Paulo.

Na avaliação do presidente do BC, o aumento do endividamento não é necessariamente um problema. O ponto de atenção está no destino dos recursos tomados pelas famílias. Um financiamento imobiliário, por exemplo, pode resultar na formação de patrimônio, enquanto dívidas usadas para financiar consumo imediato não geram um ativo correspondente.

“Muito pelo contrário, como a gente falou, quando alguém toma alguma dívida, como, por exemplo, no setor imobiliário, e compra uma casa, ela está constituindo um ativo. O problema é você estar endividado com alguma coisa que não está constituindo um ativo, é um consumo efêmero”, disse.

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Galípolo destacou ainda que o crescimento do endividamento costuma ocorrer em momentos de juros mais baixos, quando o acesso ao crédito se torna mais amplo. O cenário atual, portanto, exige atenção à qualidade das operações, especialmente diante da expansão de modalidades consideradas mais arriscadas.

Cartão de crédito preocupa

O cartão de crédito está entre os principais pontos de preocupação do Banco Central. Atualmente, o país tem 96 milhões de usuários dessa modalidade, dos quais 52,8 milhões possuem dívidas no rotativo ou em parcelamentos com juros. A taxa cobrada no rotativo pode chegar a 15,1% ao mês.

Galípolo também chamou atenção para a expansão do crédito sem garantias. Na avaliação do presidente do BC, o crescimento desse tipo de operação aumenta a exposição das instituições financeiras ao risco de inadimplência.

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“Esse risco que transcende a questão de manifestação de pagamento começa a se misturar com a questão de crédito”, afirmou.

Outro exemplo citado pelo presidente do BC foi o crédito consignado privado. A modalidade passou de 41 bilhões de reais para 102 bilhões de reais desde seu lançamento, em março de 2025, uma alta de 145%. No mesmo período, a inadimplência avançou de 5% para 6,7%, enquanto a taxa média de juros subiu de 40,9% para 57% ao ano.

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BC avalia novas medidas

Diante desse cenário, o Banco Central estuda novas medidas macroprudenciais para reduzir os riscos associados ao crescimento do crédito. A autoridade monetária avalia experiências adotadas em outros países e pretende implementar eventuais mudanças de forma gradual.

A preocupação do BC é fazer com que o risco assumido pelas instituições financeiras seja compatível com o capital e as provisões mantidas para cobrir eventuais perdas.

“É muito importante que cada instituição esteja devidamente provisionada daquilo que é o efetivo risco que ela está correndo no fornecimento daquele serviço”, afirmou Galípolo.

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Segundo ele, o objetivo é evitar que uma instituição conquiste mercado assumindo riscos excessivos e, posteriormente, deixe eventuais prejuízos para outras partes do sistema financeiro.

“Ninguém quer assistir o crescimento de uma instituição no mercado a partir de uma aposta de que se por acaso tiver algum problema ou a música parar, esse problema não vai estar no balanço dele, vai estar em algum outro lugar”, disse.

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