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Fundo Petros aplicou R$ 1 bilhão no banco BVA

A instituição financeira é reposnável por rombo de R$ 8 bilhões com empréstimos

Por Da Redação 28 abr 2014, 11h54

O fundo de pensão dos funcionários da Petrobras (Petros) aplicou pelo menos 1 bilhão de reais no banco BVA, em liquidação financeira desde meados do ano passado. Além de ter mais de 700 milhões de reais aplicados em fundos de investimentos da gestora do banco Vitoria Asset Management, a fundação financiou diretamente acionistas da instituição, que estão sendo cobrados na Justiça, e ainda empresas ligadas ao banco, que alegam ter sido vítimas de empréstimos falsos.

O BVA gerou um rombo de 8 bilhões de reais, no banco e nos fundos, com os empréstimos que concedeu em apenas três anos. As dívidas estão sendo executadas ou renegociadas para se tentar reduzir o prejuízo causado. Em alguns casos, entretanto, os casos podem se estender por um bom tempo na Justiça.

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Vidax – É o caso de um empréstimo de 100 milhões de reais feito pela Petros à empresa de call center de Mogi das Cruzes chamada Vidax Teleserviços, por intermédio do banco BVA. Desde março do ano passado, o fundo tenta executar a dívida, mas a Vidax alega que só recebeu metade do dinheiro, o que impossibilitou suas operações e a fez fechar as portas no fim de 2012, demitindo quase 30 mil funcionários. De acordo com a história relatada pela Vidax no processo, a empresa estava em dificuldades financeiras desde 2008, mas vinha sendo auxiliada pelo BVA. O banco concedia empréstimos sob a condição de pagamentos de comissões de até 25% do total do financiamento. A empresa alega ainda que o banco se tornou efetivamente sócio da companhia.

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Em um dos períodos de dificuldade, já em 2011, o BVA teria proposto a emissão de uma Cédula de Crédito Bancário (CCB) a ser comprada pela Petros. A classificação de risco do empréstimo, de 50 milhões de reais, foi uma das melhores, risco A, que é colocada em dúvida pela própria Vidax no processo. “(…) Chegando-se ao excelente rating ‘A’ (doc. 7), apesar da situação financeira e do endividamento preocupantes da Vidax”, diz trecho do processo. Em 2012, a empresa continuava em dificuldades, não pagava contas de luz, mas foi acertado um novo empréstimo via CCB com a Petros, de 45 milhões de reais. Esses recursos, entretanto, nunca teriam chegado à empresa.

No próprio processo, a Petros afirma que fez o depósito no BVA, apresentando documentos. Segundo o fundo, seu relacionamento era com a Vidax e o BVA foi o banco escolhido pela própria empresa de call center.

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A equipe de reportagem questionou a Petros sobre as análises de crédito feitas para emprestar recursos a uma empresa que se mostrava em situação financeira difícil. Também questionou sobre a exposição do banco no BVA e os valores provisionados para perdas. Até o fechamento desta edição, entretanto, nenhuma das perguntas foi respondida. O ex-presidente do BVA Ivo Lodo também não deu retorno. Os advogados da Vidax, do escritório Yarshell, Mateucci e Camargo, disseram que todas suas argumentações estão no processo.

(com Estadão Conteúdo)

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