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Fundo de resgate europeu mantém nota AAA e deve tranquilizar mercados

O fundo de resgate europeu anunciou neste sábado a confirmação da nota de solvência “AAA” atribuída pelas agências de classificação financeira, um anúncio que deve ajudar a tranquilizar os investidores, no momento em que a Itália tem dificuldades para financiar sua dívida.

“A confirmação da melhor nota possível mostra a confiança que existe na Eurozona para restabelecer a estabilidade financeira”, declarou o diretor do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), Klaus Regling.

O FEEF destaca que a confirmação do triplo A pelas três agências de classificação mais importantes (Standard and Poor’s, Moody’s e Fitch) aconteceu depois da entrada em vigor, em 18 de outubro, dos dispositivos decididos em julho pelos dirigentes da Eurozona para reforçar o fundo pela primeira vez.

Depois deste aumento da capacidade do fundo, ratificado por todos os Parlamentos dos 17 países da zona euro entre julho e outubro, o FEEF dispõe atualmente de uma capacidade de empréstimo de 440 bilhões de euros e de 780 bilhões de garantias. Também pode comprar títulos da dívida pública dos Estados em dificuldades no mercado secundário, onde são negociados os títulos em circulação.

O anúncio sobre a solvência do FEEF também foi feito depois da reunião de cúpula de crise de quarta-feira em Bruxelas, na qual os países da união monetária decidiram aumentar a capacidade de intervenção do fundo de resgate para permitir uma ajuda a países como Itália ou Espanha. Sua capacidade será de um trilhão de euros.

A Standard and Poor’s (S&P), que anunciou na sexta-feira à noite a manutenção da nota “AAA” do FEEF, fez uma referência explícita aos novos anúncios. A agência explicou que “considera quase segura a probabilidade de que os Estados membros darão ao fundo, no caso de necessidade, um aporte extraordinário em quantidade suficiente e a tempo”.

Para a S&P, o FEEF é “a pedra angular da estratégia da União Europeia destinada a restabelecer a estabilidade no mercado da dívida pública dos Estados da Eurozona euro e preservar a confiança dos investidores no sistema financeiro europeu”.

A nota “AAA” permite ao FEEF continuar fazendo dívida com taxas vantajosas, o que possibilita ao fundo emprestar aos países em dificuldades a taxas menores do que as seriam pagas nos mercados.

As autoridades da zona euro desejam que seja utilizado para adquirir de maneira prioritária títulos da dívida italiana, o que evitaria a disparada das taxas de juro que Roma terá que pagar no futuro.

Mas na sexta-feira o temor começou a ser confirmado, já que os mercados duvidam da credibilidade do governo de Silvio Berlusconi. Um leilão de títulos italianos para 2022 teve taxa acima da barreira simbólica de 6%, um nível dificilmente compatível a longo prazo com uma dívida pública que supera 1,9 trilhão de euros.

A confirmação do “triplo A” é ainda um sinal positivo enviado aos potenciais investidores externos.

O reforço da capacidade do FEEF deve ser feito através de um sistema de seguro de crédito que consiste em garantir uma parte das eventuais perdas dos investidores que emprestam aos países frágeis da Eurozona, mas também através de um ou vários fundos especiais destinados a atrair os investidores externos, como os países emergentes.