Assine VEJA a partir de R$ 9,90/mês.

Funcionários do McDonald’s fazem greve e vão às ruas por melhores salários

Movimento já atinge 50 cidades americanas e tem como principal demanda o aumento de 100% nos salários pagos por hora aos trabalhadores de redes de fast-food

Por Da Redação - 29 ago 2013, 18h19

Milhares de funcionários do McDonald’s e de outras redes de fast-food nos Estados Unidos entraram em greve nesta quinta-feira, pedindo melhores salários. De acordo com os organizadores da paralisação, trabalhadores em 50 cidades aderiram à greve reivindicando salário de 15 dólares por hora – o dobro do que a maioria deles recebe atualmente – e o direito de formar um sindicato sem ter retaliações. Há até mesmo um site criado para estimular a adesão de mais trabalhadores ao movimento.

Em comunicado, os organizadores disseram que esta é a maior paralisação já realizada no setor. O movimento teve início em novembro, em Nova York, com a adesão de 200 empregados, mas se espalhou rapidamente pelo país. Em julho, houve greves em Chicago, Detroit, Flint, Kansas City, Milwaukee e St. Louis.

O movimento iniciado nesta quinta-feira deve atingir cerca de mil lojas de outras redes de fast-food, além do McDonald’s, como Burger King, Wendy’s, Taco Bell, Pizza Hut e KFC. Muitos dos 3 milhões de funcionários do setor nos EUA não trabalham em período integral e não recebem gorjetas como funcionários de bares e restaurantes. Na greve anterior, em julho, o McDonald’s disse que os contratos individuais de funcionários eram responsabilidade das franqueadas que operam mais de 80% dos restaurantes da rede no mundo todo.

Leia também:

Publicidade

McDonald’s: lucro da maior franqueada cai 27% no 2º tri

Lucro líquido do McDonald’s sobe 3,7% no 2º trimestre

Quando as manifestações começaram, o McDonald’s informou que não poderia dobrar os salários porque impactaria seus resultados e os dividendos pagos aos acionistas. A Universidade do Kansas fez as contas para uma reportagem do site Huffington Post: se o McDonald’s dobrar o salário de todos os funcionários, incluindo o do CEO Don Thompson, que recebe aproximadamente 8,5 milhões de dólares por ano, os Big Macs teriam de custar 68 centavos a mais, aumentando de 3,99 dólares para 4,67 dólares.

Scott DeFife, porta-voz da National Restaurant Association (NRA, a associação das redes de restaurante dos EUA), afirmou que os aumentos são inviáveis porque as empresas já têm de lidar com os aumentos dos custos dos ingredientes e gastos com seguro de saúde dos funcionários, que é obrigatório.

Publicidade

O salário mínimo foi reajustado pela última vez em 2009, nos Estados Unidos, para 7,5 dólares por hora. Uma das brigas do presidente Barack Obama é conseguir aprovar no Congresso um aumento de 1,5 dólar por hora.

O McDonald’s, rede mais afetada pelos protestos, registrou aumento de 3,7% no lucro do segundo trimestre, para 1,4 bilhão de dólares, ou 1,38 dólar por ação, ante 1,35 bilhão de dólares, ou 1,32 dólar por ação, no mesmo período do ano passado.

Publicidade