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Desaceleração das indústrias frustra crescimento econômico

Empresário conta que já demitiu funcionários e agora reduziu jornada de trabalho para adequar produção à queda no faturamento

Por Ana Paula Machado Atualizado em 31 ago 2018, 10h41 - Publicado em 31 ago 2018, 09h34

Uma das causas do baixo crescimento econômico é a desaceleração da atividade industrial, sintoma que a ASVAC, fabricante de bombas industriais, conhece de perto. A empresa, que já chegou a produzir 700 bombas por ano, deve terminar 2018 com a fabricação de apenas 300 unidades.

“Tínhamos a expectativa de melhora do mercado, de retomada dos investimentos pelos nossos clientes. Depois da greve dos caminhoneiros, em maio, tudo mudou. A paralisação tirou o brilho do mercado, o otimismo de que os negócios iriam voltar este ano e mais fortemente em 2019. Agora, vemos um incerteza e represamento dos investimentos”, disse César Prata, sócio da empresa.

A indústria é um importante componente do PIB, mas vem se retraindo por falta de investimento. O produto interno bruto (PIB) cresceu do país apenas 0,2% no segundo trimestre do ano em relação ao três meses anteriores. Esse resultado foi influenciado, principalmente, pelo setor industrial, que teve uma queda de 0,6%. A agropecuária, que costuma ser o motor da economia, ficou estagnada (0,0%). Já os serviços tiveram um pequeno avanço de 0,3% no segundo trimestre. Já 

O empresário contou que a maioria dos clientes pedem para alongar os prazos de entrega dos equipamentos. Normalmente, uma bomba industrial demora de 3 a 6 meses para sair da linha de produção. “Muitos contratos estão devem ser entregues em 10 meses, isso para equipamentos que podiam ter sua produção finalizada em seis meses. Com o esse alongamento das entregas, temos queda na produção”, afirmou.

  • Com a queda na produção, Prata conta que teve que reduzir sua folha de pagamento — hoje, ele emprega 20 pessoas. Em 2016, eram 50 empregados na fábrica localizada em São Paulo. O empresário afirmou que, para não reduzir ainda mais o seu quadro de funcionários, a solução foi diminuir a carga de trabalho de 44 para 40 horas semanais. “É um profissional muito especializado, para treinar um funcionário demoramos cinco anos. Por isso, tentamos reter essa pessoa ao máximo e usamos todas as alternativas antes da demissão”, explicou.

     

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